Chomsky diz temer guerra nuclear durante o governo de Trump

Nova York, 5 jul (EFE).- O intelectual americano Noam Chomsky disse temer a ocorrência de uma guerra nuclear durante o mandato do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma entrevista ao jornal "The New York Times" publicada nesta quarta-feira.

Chomsky citou os alertas de um dos principais estrategistas nucleares do mundo, William Perry, que declarou recentemente estar se sentindo "aterrorizado" pelas repetidas e extremas ameaças de um conflito nuclear e a falta de preocupação em relação às mesmas.

"Perry tem razão de estar aterrorizado. E todos deveríamos estar, sobretudo pela pessoa que pode pressionar o botão nuclear e seus aliados surrealistas", afirmou Chomsky sobre Trump.

O intelectual, de 88 anos, também expôs as razões pelas quais considera que o mundo agora está mais perto de uma guerra nuclear do que esteve durante as décadas da Guerra Fria, uma época na qual os EUA e a União Soviética viveram vários momentos de alta tensão.

Chomsky indicou o programa de modernização de forças nucleares do governo do ex-presidente Barack Obama, iniciativa mantida por Trump, que, para o intelectual, representa "riscos extraordinários" devido ao seu potencial de destruição. A informação foi revelada em um artigo publicado em março pelo Boletim de Cientistas Atômicos.

Segundo esses pesquisadores, essa modernização fez com que a capacidade de ataque dos EUA tenha se multiplicado por três, o que forçaria um "primeiro ataque surpresa" de um de seus rivais como única forma de desarmar e vencer as tropas americanas.

"Isso significa que, em um momento de crise, e que são muitos, os estrategistas militares russos podem concluir que, sem um elemento de dissuasão, sua única esperança de sobrevivência seja um primeiro ataque, o que representaria o fim de todos nós", explicou.

O intelectual também classifica as ações na Síria e na fronteira com a Rússia como ameaças de confrontação muito sérias que podem desencadear uma guerra.

Chomsky também indicou que o conhecido "Relógio do Apocalipse", um relógio simbólico criado pelo Boletim de Cientistas Atômicos para medir a proximidade da destruição da humanidade desde 1947, nunca esteve tão perto do limite.

"Em 1953, ele ficou a dois minutos da meia-noite depois de os EUA e a União Soviética terem detonado duas bombas de hidrogênio. Em janeiro deste ano, pouco depois da posse de Trump, o ponteiro ficou a dois minutos e meio da meia-noite, o mais perto que esteve (do apocalipse) desde 1953", afirmou.

Na entrevista ao "The New York Times", Chomsky também avaliou as políticas climáticas de Trump, que recentemente tirou os EUA do Acordo de Paris.

"A liderança do Partido Republicano está quase exclusivamente dedicado a destruir as oportunidades para uma sobrevivência decente", criticou.

Para reverter a guinada dada por Trump, o intelectual destacou que a ação dos cidadãos americanos pode fazer com que o presidente recue em programas "altamente perigosos".

"Os cidadãos também podem pressionar Washington para que explore opções diplomáticas - que estão disponíveis - em vez das reações de força e de extorsão em outros casos, como os da Coreia do Norte e do Irã", sugeriu.

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