Merkel tenta organizar complicado G20 em reuniões com Trump, Putin e Erdogan

Gemma Casadevall.

Berlim, 5 jul (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, tenta construir o caminho para algum tipo de consenso na cúpula do G20, uma missão bastante complicada, com encontros prévios com os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

"Os temas da cúpula são difíceis e não podemos prever em absoluto quais serão os pontos incluídos no comunicado final", alertou o porta-voz do governo da Alemanha, Steffen Seibert, sobre a reunião que será realizada entre sexta-feira e sábado em Hamburgo com os líderes das principais economias e potências emergentes do mundo.

Seibert indicou que a chanceler alemã está proposta a "aparar arestas" entre os países, que são "muito conhecidas". Por isso, organizou uma série de reuniões bilaterais prévias à cúpula.

Amanhã, Merkel se reúne primeiro com Trump e depois com Erdogan. Os dois encontros têm formato estabelecido e durarão cerca de uma hora. Mais tarde, a chanceler recebe Putin, em uma reunião que terá também a participação do presidente da França, Emmanuel Macron.

Trump chegará a Hamburgo após viagem à Polônia, país escolhido para iniciar esse tour europeu após participar em maio de uma reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Bruxelas, e da cúpula do G7 em Taormina, na Itália.

Entre essas reuniões e o encontro do G20, os EUA confirmaram a saída do Acordo Climático de Paris, que Merkel e a comunidade internacional se comprometeram a salvar com o apoio do país mais poluidor do mundo, a China, como principal aliado.

A chanceler já afirmou em reiteradas oportunidades que o mundo não deve contar com uma mudança de postura da Casa Branca em relação ao Acordo de Paris. Merkel, tampouco, quer gerar expectativas sobre outra grande discordância com Trump: o livre comércio.

"Nesse momento, não tenho como saber como será o comunicado final", disse Merkel em uma entrevista conjunta com o presidente da China, Xi Jinping, que fazia uma visita de Estado a Berlim.

A China passou em dezembro a presidência do turno do G20 para a Alemanha. Em 2018, a função passa para a Argentina.

"A ordem mundial está mudando e as relações de poder se deslocam", reforçou Merkel em entrevista ao semanário "Die Zeit".

Trump não é o único convidado incômodo na cúpula. Erdogan e Putin também são pedras no sapato da chanceler, que não quer e nem pode romper com os dois líderes, apesar das divergências.

As relações com a Turquia estão em um momento mais do que complexo, até o ponto de a Alemanha ter decidido tirar seus soldados de uma base turca após a proibição de uma visita de um grupo de deputados do Bundestag, a câmara baixa do parlamento do país.

O clima de tensão se intensificou em março, quando Berlim proibiu vários eventos de ministros turcos no país. Eles buscavam apoio entre os turcos que moram na Alemanha para aprovar a reforma constitucional que aumentou os poderes de Erdogan. Ancara acusou o governo alemão de promover "práticas nazistas".

Merkel segue defendendo o diálogo com a Turquia, chave para frear a chegada de refugiados à Europa através da Grécia. Da mesma forma, a chanceler insiste em manter de pé as pontes com a Rússia.

Para a reunião com Putin, a chanceler contará com o apoio de Macron, seu novo parceiro no revitalizado eixo franco-alemão, já que o principal tema do encontro será a Ucrânia, conflito no qual França e Alemanha dividem o papel de mediação.

A Rússia, além disso, é um país indispensável na luta internacional contra o terrorismo e o Estado Islâmico. Toda a estratégia para a guerra na Síria depende do papel que o Kremlin exercer em relação ao presidente do país, Bashar al Assad.

Os pontos essenciais incluídos pela presidência da Alemanha na agenda da cúpula de Hamburgo são a África, sob a premissa de que promover seu desenvolvimento significa combater a pobreza extrema que está na origem da crise migratória, e também o apoio financeiro ao acesso da mulher ao mundo trabalhista e empresarial.

Incorporar os dois aspectos em um comunicado final, como insiste em destacar a Alemanha, depende do consenso entre os países do G20, não parece muito complexo. No entanto, incluir assuntos mais espinhosos significaria se limitar a acordos mínimos.

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