Oposição responsabiliza Maduro e Guarda Nacional por ataque ao Parlamento

Caracas, 5 jul (EFE).- O deputado opositor Henry Ramos Allup responsabilizou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) pelo ataque à Assembleia Nacional por parte de simpatizantes do governo, que deixou nesta quarta-feira mais de dez feridos, entre eles parlamentares.

"Tudo isso aconteceu diante do olhar impassível da Guarda Nacional. Estes são fatos sumamente graves", afirmou Ramos em entrevista coletiva na sede do Parlamento, que continua sitiado por integrantes do movimento chavista.

"Em uma mostra inaudita desse cinismo descarado que o caracteriza, (Maduro disse que) para ele estes fatos eram muito estranhos", acrescentou.

O deputado, que já foi presidente da Assembleia Nacional, contou que dezenas de pessoas identificadas com a chamada revolução bolivariana atacaram a Câmara com pedras e explosivos "de alta ressonância" e que "houve disparos de armas de fogo", que deixaram "buracos de bala em muitas das paredes e vidros quebrados".

"Isto faz parte do assédio delinquencial das quadrilhas armadas do regime contra a Assembleia Nacional", disparou.

Sobre os feridos, Ramos Allup declarou que vários funcionários da Casa e jornalistas foram agredidos e que os deputados opositores Américo de Grazia, Armando Armas, Luis Padilla e Leonardo Regnault sofreram "ferimentos consideráveis" e foram "retirados de ambulância" do local.

Por sua vez, Maduro condenou hoje os acontecimentos e pediu uma investigação.

"Jamais serei cúmplice de nenhum caso de violência. Eu os condeno, ordenei uma investigação e quero que se faça justiça", afirmou Maduro em um desfile cívico militar em Caracas em comemoração ao Dia da Independência.

Pouco antes dos episódios de violência no Legislativo, o vice-presidente do Governo, Tareck el Aissami, havia convocado "o povo das ruas" a ir à Assembleia, em um discurso no Parlamento no qual acusou de traidora a maioria opositora e a recriminou por ter "sequestrado" o Parlamento.

Desde 1º de abril, a Venezuela vive uma onda de manifestações a favor e contra o governo, algumas das quais se tornaram violentas e deixaram até agora 91 mortos e mais de mil feridos, segundo o Ministério Público do país.

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