Juiz autoriza Menem a se candidatar ao Senado após rejeitar impugnação

Buenos Aires, 7 jul (EFE).- Um juiz decidiu nesta sexta-feira que o ex-presidente da Argentina Carlos Menem (1989-1999) está apto para ser candidato a senador nas próximas eleições legislativas, após rejeitar uma impugnação apresentada contra ele que pretendia impedir sua candidatura por ter sido condenado por tráfico de armas.

Segundo fontes do Juizado Federal de La Rioja, província pela qual o ex-presidente é senador desde 2005, o juiz eleitoral Daniel Herrera resolveu rejeitar a impugnação "por falta de legitimação processual".

Herrera tinha até esta sexta-feira hoje para decidir se o Menem, de 87 anos, podia ou não tentar renovar seu mandato na Câmara Alta nas próximas eleições legislativas de 22 de outubro - com primárias obrigatórias no próximo dia 13 de agosto -, e manter sua imunidade parlamentar nesse processo, pelo qual foi preso em 2001.

Em 2013, um tribunal condenou Menem a sete anos de prisão após considerá-lo coautor do crime de contrabando agravado de material bélico entre 1991 e 1995. No último dia 21 de junho, a Câmara Federal de Cassação Penal argentina confirmou essa decisão, mas sua prisão foi suspensa por conta da imunidade.

Por esse motivo, o cidadão Ramón César Hernández, com domicílio na província de Buenos Aires, apresentou um pedido de impugnação, que hoje foi rejeitado.

Menem, membro do Partido Justicialista, com o qual chegou à Presidência em 1989, pretende manter sua cadeira no senado por mais seis anos com a reeleição.

Durante seu período na Presidência, foram exportadas 6.500 toneladas de armamento destinado oficialmente ao Panamá e à Venezuela, mas que na realidade foram desviadas para a Croácia, em 1991, em pleno conflito da antiga Iugoslávia, e ao Equador, em 1995, quando ocorria um enfrentamento bélico com o Peru por um antigo litígio fronteiriço, apesar de a Argentina ter sido um dos países fiadores do Tratado de Paz entre ambos.

Em conjunto, houve vários embarques marítimos à Croácia e três aéreos ao Equador, com armamento procedente de Indústrias Militares e de unidades do Exército.

No julgamento, o ex-presidente negou ter responsabilidade na venda das armas durante seu governo e "se limitou a assinar decretos de exportação de armas" à Venezuela e o Panamá e que o resto dos trâmites não eram de seu conhecimento.

Por esta causa, Menem ficou preso por seis meses em 2001 acusado de ser o chefe de uma "associação ilícita" dedicada ao tráfego ilegal de armas, mas foi posto em liberdade após uma decisão da Corte Suprema, última instância a que sua defesa pode recorrer de sua condenação. EFE

rgm/cs

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