Ministério Público pede prisão preventiva para ex-presidente do Peru e esposa

Lima, 11 jul (EFE).- O Ministério Público do Peru pediu nesta terça-feira que o ex-presidente do país Ollanta Humala e sua esposa, Nadine Heredia, sejam presos preventivamente por supostamente terem recebido US$ 3 milhões da construtora brasileira Odebrecht para a campanha eleitoral de 2011.

A solicitação foi feita pelo promotor Germán Juárez, responsável pela investigação do escândalo, informaram fontes do Ministério Público à imprensa local.

"Confirma-se pedido de prisão preventiva para Ollanta Humala e Nadine Heredia", informou o órgão em uma mensagem publicada no Twitter.

O Ministério Público acrescentou que a audiência na qual as partes serão ouvidas será realizada amanhã, às 10h (hora local; 12h de Brasília).

O pedido da promotoria será analisado pelo juiz Richard Concepción Carhuancho, que investiga as denúncias de pagamento de propinas e contribuições irregulares no Peru pela Odebrecht.

Um dos advogados de Humala, Julio César Espinoza, declarou à emissora de rádio "RPP Noticias" que só soube do pedido do promotor "pela imprensa".

"Não fomos notificados oficialmente, nem sabemos o conteúdo do requerimento. Estamos atentos para que isso ocorra para analisá-lo e discuti-lo como corresponde na audiência", acrescentou.

O advogado disse que seus clientes pedem ao juiz "que atue de maneira imparcial e não influenciado por qualquer pressão" e lembrou que em novembro do ano passado também foi expedido um pedido de prisão preventiva para Heredia, mas o mesmo magistrado o rejeitou.

Em 25 de novembro, a promotoria peruana pediu prisão preventiva para a ex-primeira-dama depois que ela viajou para a Europa para assumir um cargo na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

No entanto, o juiz Richard Concepción Carhuancho rejeitou esse pedido após ouviar os argumentos das partes, mas ordenou o retorno imediato de Heredia, que acatou a medida e posteriormente renunciou ao cargo na ONU.

Heredia é investigada junto com Humala por lavagem de dinheiro em um suposto financiamento irregular do Partido Nacionalista Peruano (PNP), fundado e presidido por ela e o marido, durante as campanhas eleitorais de 2006 e 2011.

Entre as acusações está a de ter recebido dinheiro do falecido ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez para a campanha eleitoral de Humala em 2006 e das empresas brasileiras Odebrecht e OAS para a de 2011.

O empresário brasileiro Marcelo Odebrecht afirmou em abril que sua companhia deu US$ 3 milhões para a campanha de Humala de seis anos atrás.

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