Aliança de países muçulmanos se compromete a cooperar contra o terrorismo

Riad, 26 nov (EFE).- Quarenta países muçulmanos e as autoridades palestinas puseram neste domingo em andamento a Aliança Islâmica Antiterrorista, com a primeira reunião de ministros de Defesa realizada em Riad quase dois anos depois de sua fundação e com a promessa de cooperar em todos os âmbitos contra o extremismo.

Ao término do encontro na capital saudita, os participantes divulgaram um comunicado no qual declararam que "o terrorismo representa um desafio para a segurança e a paz internacional que ultrapassa as fronteiras dos países e é agora mais forte do que nunca".

Por isso, os participantes acordaram "cooperar para lutar contra o terrorismo através do trabalho organizado em equipe", destacou o marechal Abdullah Saleh, secretário-geral da aliança.

Em sua primeira reunião, os 41 membros aprovaram estabelecer um "mecanismo completo para fazer frente ao terrorismo em nível ideológico, midiático, financeiro e militar", segundo o comunicado.

No âmbito ideológico, destacaram "a importância de denunciar o pensamento extremista para pôr fim à sua expansão e influência sobre os indivíduos e sociedades, mostrando os valores do Islã moderado e a sua capacidade para conviver com os restantes".

Neste sentido também se expressou o anfitrião, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, na inauguração da reunião. "O terrorismo distorceu a reputação da nossa religião ", garantiu.

Além disso, Salman ressaltou que os países islâmicos enviaram uma "mensagem forte" de que estão "trabalhando juntos" contra o jihadismo com a presença em Riad.

"Hoje afirmamos que perseguiremos o terrorismo até que seja erradicado completamente", acrescentou o príncipe, que também é ministro de Defesa de seu país.

No âmbito militar, os ministros e outros representantes uniformizados dos países-membros apontaram para a importância de "fazer frente militarmente ao terrorismo para manter a paz e a segurança internacional".

Com este fim, expressaram o compromisso para "fornecer os recursos militares necessários para debilitar as organizações terroristas e acabar com elas", embora não especificaram de onde procederão tais recursos.

Por outro lado, os presentes acordaram usar os veículos de imprensa para resistir "à divulgação de ideias terroristas e denunciar suas ações negativas", além de pôr em evidência os "métodos e crenças" dos extremistas.

Também anunciaram que trabalharão para "pôr fim ao financiamento do terrorismo com uma maior cooperação e troca de informação entre os países", além de desenvolver "os procedimentos que impedem aos terroristas aceder ao financiamento" das suas atividades.

O representante do Egito, o marechal Tauhid Taufiq, cujo país esteve no centro de atenção pelo brutal atentado que sofreu na sexta-feira com mais de 300 mortos, destacou que os grupos terroristas usam agora "tecnologia e métodos modernos similares aos dos exércitos estatais".

Além disso, denunciou que há países que proporcionam "refúgios seguros" e "apoio logístico" a estes grupos terroristas, que se baseiam no "desvio dos doutrinas da religião".

Taufiq alertou que as organizações extremistas têm como objetivo "dividir e derrubar os (Governo dos) países para estabelecer o suposto Estado Islâmico", em referência ao califado islamita que este grupo radical implantou na Síria e no Iraque.

A de hoje é a primeira reunião ministerial da Aliança Islâmica Antiterrorista, fundada em dezembro de 2015 em Riad, que chamou a participar os aliados sunitas, enquanto não incluiu países importantes da região como Iraque, Síria e Irã, principal rival da Arábia Saudita.

Além do reino, seus integrantes são Afeganistão, Bahrein, Bangladesh, Benin, Burkina Faso, Brunei, Catar, Chade, Comores, Costa do Marfim, Egito, Emirados Árabes Unidos, Gabão, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Maldivas, Mali, Mauritânia, Marrocos, Malásia, Níger, Nigéria, Omã, Paquistão, Palestina, Serra Leoa, Somália, Senegal, Sudão, Togo, Túnis, Turquia, Uganda, Iêmen e Djibuti.

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