Papa viaja para Mianmar e Bangladesh em meio a drama dos rohinyas

Cristina Cabrejas.

Cidade do Vaticano, 26 nov (EFE).- O papa Francisco inicia neste domingo uma visita a Mianmar e Bangladesh, com compromissos a partir de amanhã e com retorno marcado para 2 de dezembro, para levar apoio às pequenas comunidades católicas, além de diálogo e uma mensagem de reconciliação em pleno drama dos rohinyas.

Esta é, diplomaticamente, uma das viagens mais difíceis para Francisco por envolver Mianmar (antiga Birmânia), país acusado inclusive pelos Estados Unidos de realizar uma "limpeza étnica" contra a minoria muçulmana rohinya, à qual discrimina e persegue, o que obrigou centenas de milhares deles a fugir para países vizinhos.

Nesta semana, os governos dos dois países asiáticos visitados pelo papa assinaram um memorando de intenções que abre caminho para o retorno dos mais de 650 mil deslocados rohinyas, mas sem dar detalhes de como voltarão ou em que condições, já que Mianmar não os reconhece como cidadãos.

A situação é tão delicada que inclusive a Igreja Católica local pediu a Francisco que não pronuncie o termo rohinya, apesar de o pontífice já ter denunciado a situação da etnia em várias ocasiões, para evitar problemas e surtos de violência entre os mais extremistas.

O pontífice embarca à noite de hoje e tem chegada prevista para as 13h30 (horário local; 4h de Brasília) de segunda-feira no aeroporto internacional de Yangun, e não há nada previsto em sua agenda, mas Francisco poderá surpreender com algum ato extraoficial.

A primeira viagem de um pontífice a Mianmar, país com quem assinou relações somente em maio, começará oficialmente com a visita à capital, Naypyidaw, para se reunir com as autoridades no palácio presidencial.

O papa se encontrará com o presidente birmanês, Htin Kyaw, e com a líder de fato do governo e prêmio Nobel da Paz em 1991, Aung San Suu Kyi. Posteriormente, fará seu primeiro discurso depois de se reunir com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, e depois voltará a Yangun.

Trata-se de uma viagem pastoral, como o Vaticano definiu, por isso Francisco manifestará apoio à pequena comunidade cristã em Mianmar, integrada por 650 mil pessoas.

Para eles, Francisco fará uma missa campal na quarta-feira no estádio Kyaikkasan Ground, para a qual são esperados 200.000 fiéis de todos os cantos do país.

Francisco também se encontrará com o Conselho Supremo da Sangha dos monges budistas, um órgão que reúne os principais líderes do ramo budista dominante, no centro Kaba Aye.

Na quinta, o pontífice se reunirá em particular em Yangun com o chefe das Forças Armadas de Mianmar, Min Aung Hlaing. O encontro não estava previsto, mas foi aconselhado pela Igreja. No mesmo dia, ele terá um compromisso com jovens na catedral de Santa Maria.

Depois, o papa viajará a Daca, capital de Bangladesh, onde em seu primeiro ato irá ao monumento dos Mártires Nacionais de Savar, em memória da guerra de libertação do país do Paquistão (1971).

Esta será a segunda viagem de um papa a Bangladesh, depois da realizada por João Paulo II em 1986, já que na visita de Paulo VI, em 1970, o território ainda pertencia ao Paquistão.

Francisco visitará o Museu da Memória de Bangabandhu, para homenagear o considerado pai da pátria, e depois se reunirá com o presidente, Abdul Hamid.

Na sexta-feira, 1º de dezembro, o papa fará uma missa no parque Suhrawardy Udyan, da mesma forma que João Paulo II há 21 anos, e que terá relevância em um país que conta com apenas 400 sacerdotes. À tarde, ele terá um encontro inter-religioso e ecumênico pela paz no jardim do arcebispado.

Neste contexto, Francisco se encontrará com um grupo que representará a minoria muçulmana rohinya, que a poucos quilômetros vivem em condições sub-humanas após fugirem de Mianmar e que será, sem dúvida, o momento simbólico da viagem.

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