Famílias revelam angústia e tristeza por decisão de não resgatar submarino

Buenos Aires, 30 nov (EFE).- Familiares dos 44 tripulantes do submarino ARA San Juan, desaparecido há 15 dias, revelaram nesta quinta-feira ter sentido angústia e tristeza com a decisão do governo da Argentina de não realizar o resgate de seus entes queridos, uma medida classificada por eles como "injustificada".

"O jeito como eles disseram isso nos causou muita angústia e tristeza. Não foi a forma adequada para nós, os familiares", disse Jorge Villareal, pai do tenente Fernando, em entrevista à "TN".

Luis Tagliapietra, pai do tenente de corveta Alejandro Damián, concordou com Villareal e criticou duramente o governo por ter sido informado pela imprensa sobre a decisão em relação à busca.

"Não posso expressar em palavras porque não compreendo essa decisão arbitrária e injustificada", ressaltou também à "TN".

O capitão e porta-voz da Marinha da Argentina, Enrique Balbi, descartou hoje a possibilidade de resgatar os 44 tripulantes, mas ressaltou que as buscas pelo submarino continuarão.

Perguntado sobre se desta forma as autoridades descartam encontrar sobreviventes, Balbi ressaltou que "até que não haja a localização" do submarino, não será dada uma "confirmação categórica" a respeito, mas alertou que "já se passou o dobro do tempo das possibilidades de resgatá-los".

Sobre a possibilidade de o filho ser resgatado com vida, Villareal disse ainda ter fé.

"Tenho fé, esperança, mas muita incerteza e angústia, mais ainda quando não há indícios de nada. Mas, diante do nada, prefiro seguir pensando positivo", afirmou o pai de Fernando.

"Tenho certeza que ele está tentando o possível para que consigam localizá-los", completou, criticando o jeito que a Marinha informou sobre a decisão de hoje. "Igualmente, também temos que nos preparar para o pior", concluiu.

Já Tagliapietra, que há uma semana afirmou ter ouvido de representantes da Marinha que não havia sobreviventes após uma explosão registrada no mar, ressaltou que hoje não foi comunicado de "absolutamente nada" sobre novidades em relação à busca.

"Não sei se porque recorri à imprensa não me falaram mais nada. Acabo de saber desta medida com vocês. Ela destruiu a última e mínima esperança que eu tinha, porque eles já diretamente dizem que sequer vão tentar salvá-los, por mais que encontrem o submarino", ressaltou o pai de Alejandro.

Junto com outros familiares de tripulantes, Tagliapietra pediu ontem à Justiça para ser parte do caso que investiga se houve algum crime no desaparecimento do submarino.

"Eles não cumpriram a promessa de que buscariam (o submarino) até que os encontrassem, aconteça o que acontecer. Voltaram a mentir e isso não tem lógica", concluiu.

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