Putin apoia unidade da Espanha, diálogo com Coreia e melhor relação com Trump

José Antonio Vera e Virgínia Hebrero.

São Petersburgo (Rússia), 25 mai (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira que respeita a integridade territorial da Espanha, lamentou o estado de suas relações com Donald Trump e defendeu o diálogo para a desnuclearização da península coreana.

Um Putin simpático e exultante, convicto do sucesso alcançado neste ano pelo Fórum Econômico de São Petersburgo com a presença do presidente da França, Emmanuel Macron, se mostrou confortável diante dos presidentes das dez maiores agências de notícias do mundo, entre elas a Efe, que participaram, pelo quinto ano consecutivo, de um encontro com o líder russo.

Para esta nova reunião, Putin escolheu uma mesa particularmente pequena, que deu ao encontro uma maior sensação de proximidade. O presidente russo fez várias brincadeiras e até mesmo contou piadas.

"Trump está ligando?", gracejou Putin quando tocou o telefone de um dos representantes das agências internacionais.

"E, se não for Trump, certamente é Xi Jinping. Mande-lhe saudações da minha parte, você deve ser uma pessoa muito importante", emendou, bem-humorado.

Brincadeiras à parte, Putin também garantiu que tem a intenção de respeitar a Constituição russa e deixar o cargo quando seu novo mandato terminar, em 2024.

Aos jornalistas, o presidente russo negou que seu país tenha atuado a favor do separatismo catalão e expressou o desejo de que a Espanha conserve sua "integridade territorial".

"Temos relações boas e frutíferas com a Espanha que queremos preservar e também queremos que a situação se normalize com a Espanha e que a Espanha conserve sua integridade territorial", disse Putin.

"Todos os povos têm direito à autodeterminação, mas ao mesmo tempo partimos do conceito do respeito e da conservação da soberania dos Estados e das fronteiras estabelecidas. Esta é a nossa postura e é a que transmitimos ao governo espanhol", completou Putin, em resposta a uma pergunta da Agência Efe.

Quanto às acusações de promover ataques cibernéticos a outros países, o chefe do Kremlin classificou como "tolice" dizer que a Rússia esteja por trás deles.

"Sempre se disse isto da Rússia, se disse no 'Brexit' e nos acusam de todos os males. Mas são processos internos de cada país com os quais não temos absolutamente nada a ver. Por acaso Boris Jonhson é um agente russo?", questionou, em referência ao atual ministro de Relações Exteriores britânico, que apoiou abertamente a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

"Há um desejo evidente de nos culpar por tudo, e esse é um enfoque pouco produtivo e prejudicial que abala as relações internacionais. Estão nos acusando de todos os pecados mortais, e isto não é sério", lamentou, ao considerar também infundada uma acusação que responsabiliza a Rússia por derrubar um voo da companhia Malaysia Airlines em 2014 no leste da Ucrânia.

Quando questionado sobre a relação da Rússia com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Putin afirmou que esta "não piorou, mas também não melhora".

"Somos reféns dos problemas internos dos Estados Unidos. Espero que vejamos em breve o final desta situação, porque precisamos conversar para melhorar a relação e falar sobre os diversos conflitos", destacou.

"Estamos preparados para o diálogo e queremos dialogar, mas com frequência tomam decisões destinadas somente a prejudicar a Rússia", acrescentou.

Como exemplos, Putin citou que "há sistemas antimísseis no Alasca, na Noruega, na Dinamarca, em todas as nossas fronteiras. São ações encaminhadas a fragilizar militarmente a Rússia. O que podemos fazer? Então para equilibrar vamos produzir nossos próprios sistemas militares".

Sobre a situação na península coreana após o anúncio de Trump de suspender sua cúpula com Kim Jong-un, Putin declarou que "não se pode resolver o problema da desnuclearização sem negociação".

"O diálogo entre as partes é fundamental, necessário e útil. Se quisermos uma desnuclearização total, é preciso dar garantias à Coreia do Norte sobre sua soberania e sua segurança", completou.

Ainda sobre esse assunto, Putin salientou que "a Rússia está muito interessada em encontrar uma solução definitiva para o problema.

"Fica perto demais da nossa fronteira, e gostaríamos de ajudar e poder participar para encontrar uma solução para a desnuclearização", ressaltou.

Perguntado sobre se realmente deixará o Kremlin em 2024, quando acaba o mandato para o qual acaba de ser reeleito, Putin reforçou que cumprirá o que estabelece a Constituição da Rússia.

"Sempre cumpri e cumpro rigorosamente a Constituição da Rússia. A Constituição deixa claro: não mais que dois mandatos consecutivos, e este é o meu segundo consecutivo. Tenho o propósito de cumprir essa norma no futuro", frisou.

Embora todos saibam que não gosta de futebol, Putin não fugiu do tema e comentou que a Espanha é uma das favoritas a ganhar a Copa do Mundo, que começará no dia 14 de junho.

Faixa preta de judô e fã de esportes de inverno, Putin elogiou o potencial e as qualidades da seleção espanhola, lembrando o título mundial em 2010.

Putin também afirmou que o objetivo do torneio não é melhorar a imagem da Rússia no exterior, mas modernizar as infraestruturas do país para que sejam desfrutadas pelas próximas gerações.

"Queremos que esta Copa seja uma festa para o mundo e acredito que vamos conseguir", destacou.

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