Dezenas de milhares protestam na França contra política liberal de Macron

Paris, 26 mai (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas, convocadas por partidos de esquerda, ONGs, sindicatos e grêmios estudantais, se manifestaram neste sábado em várias cidades da França para protestar contra o que consideram uma política liberal do presidente do país, Emmanuel Macron.

Convocados sob o lema "A maré popular", os manifestantes expressaram seu descontentamento com os planos de privatização do governo de Macron para algumas empresas públicas, a redução do número de funcionários públicos, as mudanças na admissão na universidade e sua restritiva política de imigração.

De acordo com dados do sindicato Confederação Geral do Trabalho (CGT), um dos organizadores, apenas em Paris os protestos reuniram 80.000 pessoas.

No entanto, os cálculos realizados pela polícia e pelos meios de comunicação rebaixaram notavelmente esse número, para 21.000 e 31.700, respectivamente.

Este protesto é o terceiro em menos de um mês contra o governo de Macron.

Os dois anteriores foram uma greve de funcionários público em 22 de maio, com baixa adesão, e uma mobilização em 5 de maio convocada pelo partido da esquerda radical França Insubmissa, que obteve um apoio um pouco mais massivo que o de hoje, segundo os cálculos da imprensa.

Entre as figuras que participaram do protesto deste sábado se destacou o líder do França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, que chamou o presidente de francês de "cabeça dura" por não escutar as reivindicações dos cidadãos.

"A maré popular", no entanto, não contou com a adesão de grandes sindicatos, como a Confederação Francesa de Trabalhadores (CFDT), ou do Partido Socialista (PS), que optaram por não participar.

As manifestações de hoje se desenvolveram sem graves incidentes na maioria das cidades francesas.

Uma exceção foi Nantes, no noroeste, onde 35 pessoas foram detidas por depredar patrimônio público e um policial ficou gravemente ferido.

Em visita oficial na Rússia, Macron já avisou que seguirá determinado nas suas reformas econômicas e esclareceu que não é "um cata-vento" que muda sua direção política de acordo com as pesquisas.

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