Ucrânia acusa Rússia de estar por trás do assassinato de jornalista Babchenko

Kiev, 30 mai (EFE).- O primeiro-ministro da Ucrânia, Vladimir Groisman, acusou nesta quarta-feira a Rússia de estar por trás do assassinato do jornalista opositor russo Arkady Babchenko, baleado ontem à noite na porta de sua casa em Kiev.

"Tenho certeza de que a máquina do totalitarismo russo não perdoou sua honestidade e princípios", escreveu Groisman no Facebook.

O político acrescentou que Babchenko era "um verdadeiro amigo da Ucrânia" que contou ao mundo "a verdade sobre a agressão russa".

"Os assassinos devem ser castigados", disse o político ucraniano.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Pavel Klimkin, também apontou Moscou como o mais provável responsável do assassinato do jornalista.

"É muito breve para dizer quem está por trás disto, mas situações análogas nos lembram que a Rússia usa distintas táticas para desestabilizar a Ucrânia. Em particular, perpetra atentados terroristas, realiza atividades de sabotagem e assassina políticos", disse Klimkin em reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York.

O chefe da diplomacia ucraniana afirmou que o jornalista teve que deixar a Rússia (em 2017) "depois de ataques e ameaças a ele e à sua família".

"Seguiu lutando por uma Rússia democrática, pela Ucrânia, e certamente Moscou lhe via em qualidade de inimigo", acrescentou.

O ministro de Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, lamentou esta manhã que já se esteja acusando Moscou de envolvimento no assassinato.

"Uma nova tragédia ocorreu ontem em Kiev. Arkady Babchenko foi assassinado a tiros na porta de sua própria casa e o primeiro-ministro ucraniano já afirma que, certamente, foi atuação dos serviços secretos russos", disse Lavrov ao discursar em um fórum em Moscou.

O ministro russo lamentou as acusações feitas sobre a Rússia antes sequer do início da investigação oficial do assassinato.

Babchenko, de 41 anos, casado e pai de uma filha, morreu ontem em Kiev quando era levado a um hospital após ter sido baleado na porta da sua casa.

O chefe do Departamento de polícia de Kiev, Andrei Krischenko, afirmou ontem à noite que "o mais provável" é que o motivo do crime fosse sua atividade profissional.

Antigo militar profissional que combateu nas duas campanhas da Chechênia, Babchenko se reciclou como correspondente de guerra para o jornal "Moskovski Komsomolets", o mais lido da Rússia.

Mais tarde passou a escrever para o jornal opositor "Novaya Gazeta", desde cujas páginas criticou abertamente o regime do presidente Vladimir Putin.

Em fevereiro de 2017, lembra o jornal, Babchenko denunciou reiteradas ameaças contra ele e sua família e deixou a Rússia para se refugiar primeiro a Praga e depois a Kiev, onde se estabeleceu desde agosto de 2017.

Este o segundo assassinato de um jornalista russo refugiado na Ucrânia nos últimos dois anos.

O assassinato do russo-bielorrusso Pavel Sheremet, que morreu em julho de 2016 em um atentado com carro-bomba em Kiev, segue sem resolução.

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