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Especialistas terão 6 meses para investigar mortes em crise na Nicarágua

03/07/2018 22h44

Manágua, 3 jul (EFE).- O Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI) começou nesta terça-feira o trabalho de seis meses para investigar a crise de violência registrada na Nicarágua entre 18 de abril e 30 de maio, que deixou mais de 300 mortos.

Os quatro especialistas indicados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) disseram em entrevista coletiva que o foco do trabalho é auxiliar as investigações e reparar os danos sobre as famílias daqueles que perderam a vida durante a crise no país.

Parte da tarefa será analisar se as autoridades da Nicarágua estão utilizando os recursos adequados para investigar as mortes, se todos os suspeitos estão sob a mira da Justiça e se as provas apresentadas são pertinentes para o esclarecimento dos casos.

"Nós não temos a função de substituir o Estado, estamos aqui para apoiar as investigações", disse o argentino Pablo Parenti, um dos membros que formam o grupo de especialistas designado para a crise.

O mandato inicial do grupo é de seis meses, mas pode ser estendido se houver acordo entre as partes. Além de Parenti, fazem parte do grupo a guatemalteca Claudia Paz y Paz, o italiano Amerigo Incalcaterra e a peruana Sófia Marcher. Todos foram escolhidos pela CIDH e designados pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o uruguaio Luis Almagro.

Ontem, o governo disse que o último dos bloqueios de estrada no norte do país foi desfeito depois de uma ação em Trinidad. No entanto, a Aliança Cívica pela Justiça e Democracia, representada por empresários, membros da sociedade civil, camponeses e universitários, pediu que a população faça uma barreira humana de mais de dois quilômetros de extensão na capital do país, Manágua.

Também foi convocada uma grande manifestação para o sábado em Manágua e diferentes cidades do país.

A Nicarágua enfrenta sua maior crise política desde os anos 1980. Mais de 309 pessoas morreram e 2.500 ficaram feridas, de acordo com números da Associação Nicaraguense de Pró-Direitos Humanos (ANPDH).

Os protestos contra o governo começaram em 18 de abril após uma fracassada tentativa de aprovar uma reforma da previdência. Os protestos, porém, passaram a pedir a renúncia do presidente do país, Daniel Ortega, acusado de reprimir as manifestações com violência e de corrupção.