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Queda progressiva de casamentos preocupa autoridades na China

09/07/2018 06h03

Diego Merino.

Pequim, 9 jul (EFE).- A queda contínua no número de casamentos entre heterossexuais na China, seguindo uma tendência que começou em 2013, de acordo com dados oficiais, preocupa as autoridades, enquanto sociólogos e especialistas tentam encontrar as razões.

Cerca de três milhões de casais oficializaram sua relação na China durante o primeiro trimestre deste ano, de acordo com os últimos dados divulgados pelo Ministério de Assuntos Civis. Este número representa uma redução de 5,7% com relação do mesmo período do ano passado e uma diminuição de quase 30% desde 2013, quando foram registrados 4,3 milhões de uniões.

Fatores como a rejeição à vida conjugal, a opção de deixar o assunto para mais tarde e o aumento da população urbana poderiam ser alguns dos motivos para este fenômeno, conforme analisaram sociólogos ao "Diário do Povo", o jornal oficial do Partido Comunista.

Um deles defendeu que a redução nas taxas de casamento é uma tendência mundial à medida que a população se urbaniza e a economia se desenvolve, o que reduz, no geral, o número de uniões.

O governo de Zhejiang, uma das províncias com o índice mais baixo de casamentos, decidiu agir e criou um órgão para ajudar a facilitar as uniões. Além disso, lançou uma página na internet para promover encontros e que já tem mais de 13 mil inscritos.

Até o momento, 300 jovens já encontraram um companheiro, segundo a imprensa oficial da província.

Mas também há quem queria ficar assim e acredite que ser solteiro não é um problema. Min é uma artista e mora em Pequim. Aos 32 anos, estar sozinha não é um drama.

"Não quero me casar agora. Acho que parte da culpa é do governo, que não cumpre com sua responsabilidade em muitos aspectos, como a educação e a saúde. As pessoas precisam resolver isso", argumentou.

Li Jianzhong, professor na Universidade de Pequim, apontou outra questão, a mentalidade das novas gerações.

"Hoje em dia, os jovens dão prioridade ao individualismo e querem mais liberdade. Acredito que por isso tenham menos vontade de casar. Quando eu era mais novo, as pessoas se ajudavam mutuamente e existia o tal do 'um por todos, e todos por um'", afirmou.

Aos 31 anos, o engenheiro Cui, que é casado, tem bem clara uma das razões.

"Em primeiro lugar está o problema da moradia. Se duas pessoas se casam e não conseguem comprar uma casa em alguns anos, elas vão precisar continuar de aluguel e isso já representa um problema", esclareceu.

Por outro lado, Rong, uma aposentada de 64 anos, tem um ponto de vista muito mais tradicional.

"Se um homem tem 35 anos ainda pode se casar com uma menina de 20 anos, mas o mesmo não acontece com as mulheres. Quando as mulheres estudam muitos anos, se sobressaem no trabalho e já têm uma certa idade, não conseguem boas opções e talvez prefiram ficar solteiras, e aí menos gente se casa", teorizou.

A China é uma sociedade envelhecida, com aproximadamente 13% de pessoas com 60 anos ou mais, de acordo com o censo de 2011. Esse processo pode acelerar ainda mais se a queda no número de casamentos entre heterossexuais persistir.

Segundo dados de 2016 do Instituto de Estatísticas da China, aproximadamente 11% da população supera os 65 anos, um número muito elevado se comparado a uma década antes, quando apenas 7,9% da população tinha essa idade.

O problema do envelhecimento demográfico fez com que as autoridades pusessem fim à política do filho único em 2016 e agora os chineses podem ter até dois filhos.