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Tailândia faz "o impossível" ao resgatar meninos tailandeses da caverna

10/07/2018 17h39

Noel Caballero

Mae Sai (Tailândia), 10 jul (EFE).- Equipes de resgate com mergulhadores de vários países fizeram "o impossível" na Tailândia ao resgatarem com vida os 12 garotos e o treinador do time juvenil de futebol Javalis Selvagens, que ficaram presos em uma caverna do norte do país no dia 23 de junho.

Quatro dos meninos saíram da caverna no domingo, outros quatro na segunda-feira e o restante hoje. Ekapol Chantawong, o técnico dos garotos, que têm entre 11 e 16 anos, foi o último a ser resgatado, às 18h48 (hora local; 8h48 em Brasília).

"Tornamos possível o impossível", anunciou sob aplausos Narongsak Ossottanakorn, porta-voz oficial da missão.

"Tive muito medo quando soube o que aconteceu, mas atualmente sinto uma alegria que não posso descrever", afirmou com um grande sorriso a tailandesa Amporn Srivichai, tia do treinador.

O país inteiro acompanhou minuto a minuto o desenvolvimento do resgate com a esperança que todos saíssem com vida do interior da caverna, como finalmente ocorreu.

Os 13 integrantes do time juvenil permanecerão durante pelo menos uma semana em quarentena no hospital provincial de Chiang Rai para serem submetidos a vários exames e descansarem. Como uma medida excepcional, os médicos permitiram que os parentes possam abraçar os resgatados nesta noite.

Até então, as famílias só puderam ver os garotos através de um vidro porque, após mais de duas semanas presos na caverna, estavam com imunidade baixa e poderiam adoecer facilmente.

Depois que os últimos cinco resgatados deixaram a caverna nesta tarde, saíram também um médico e três integrantes da Marinha que permaneceram sete dias com o grupo em tarefas de assistência médica e psicológica.

"Não sabemos se isso foi um milagre, ciência ou sei lá o quê. Os treze estão a salvo fora da caverna", publicaram no Facebook os grupos de elite da Marinha, que foram ajudados por diversos voluntários internacionais.

Os 12 meninos e o treinador, de 26 anos, entraram na caverna após um treino de futebol, quando uma súbita tempestade começou a inundar a cavidade e fechou a saída.

A mãe de um deles deu o alerta ao ver que o filho não retornara, mas o time só foi encontrado nove dias depois, com todos famintos e frágeis em uma caverna a quatro quilômetros da entrada.

O grupo teve que aprender a mergulhar em questão de dias, uma tarefa difícil já que muitos não sabiam nadar. Dois mergulhadores, um pela frente e o outro por trás, acompanharam cada um dos meninos por um labirinto de galerias parcialmente inundadas, com desníveis e visibilidade nula.

Os resgatados utilizaram uma máscara que cobre o rosto, com a qual se respira mais facilmente e que permite falar com os mergulhadores, que indicavam o que seria feito.

Com grande parte do trajeto submersa, o grupo seguiu uma corda e descansou no acampamento B, situado a cerca de 2,5 quilômetros da entrada.

A dificuldade da operação ficou evidente na quinta-feira, com a morte de um ex-mergulhador da Marinha que se voluntariou ao resgate e ficou sem oxigênio durante uma missão subaquática.

O porta-voz oficial da operação, Narongsak Ossottanakorn, disse esperar que este incidente sirva de exemplo às crianças para que se conscientizem sobre a importância da segurança.

"A missão ainda não está completa, ainda resta enviá-los às suas famílias", disse Narongsak.