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ONG acusa soldados camaroneses de executar mulheres e crianças

12/07/2018 18h07

Yaoundé, 12 jul (EFE).- A Anistia Internacional denunciou nesta quinta-feira soldados do Exército de Camarões de executar de maneira extrajudicial duas mulheres e duas crianças, acusadas por eles de ter vínculos com o grupo jihadista nigeriano Boko Haram.

A execução foi gravada em um vídeo que começou a circular nas redes sociais e mostra homens com uniformes similares aos do Exército do Camarões. Eles obrigam os quatro a ficarem de joelhos no chão e os matam a sangue frio com um disparo pelas costas.

Em francês, os soldados se referem às vítimas como "BH", sigla de Boko Haram, e dizem tê-las capturado em um ataque aos jihadistas.

O porta-voz do governo de Camarões, Issa Tchiroma Bakary, disse que o vídeo é uma "falsificação horrorosa" e uma "notícia falsa" que busca diminuir a credibilidade do Exército.

Apesar disso, o porta-voz informou que presidente do país, Paul Biya, ordenou a abertura de uma investigação sobre o caso.

A Anistia Internacional revelou hoje ter "provas críveis" que os soldados são responsáveis pelas execuções mostradas no vídeo.

"Uma análise exaustiva das armas, do diálogo e dos uniformes que aparecem no vídeo, junto a técnicas de verificação digital e testemunhos colhetados no terreno, sugerem de maneira contundente que os autores das execuções são soldados camaroneses", afirmou a ONG em comunicado.

Os analistas da AI acreditam que, pela paisagem, o vídeo foi filmado na região de Mayo Tsanaga, no extremo norte de Camarões, onde há uma base militar.

A subdiretora para África Ocidental da Anistia Internacional, Samira Daoud, ressaltou que ser "imperativa" a realização de uma investigação adequada e imparcial.

"Apesar dos crimes e violações de direitos humanos por parte do Boko Haram serem desprezíveis, absolutamente nada justifica os crimes cometidos por alguns membros das Forças Armadas", disse Daoud, exigindo que os responsáveis sejam levados à Justiça.

O Boko Haram aterroriza o extremo norte do Camarões desde 2014. No período, mais de 2 mil pessoas foram mortas pelo grupo na região, segundo dados do International Crisis Group (ICG).