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Arcebispo de Santiago é chamado para depor

24/07/2018 21h11

Santiago (Chile), 24 jul (EFE).- O Ministério Público de Rancagua, no Chile, chamou nesta terça-feira o arcebispo de Santiago, cardeal Ricardo Ezzati, para depor como acusado de acobertar casos de abusos sexuais de membros da Igreja.

Conforme comunicado do Arcebispado de Santiago, "Ezzati foi citado pelo Ministério Público de Rancagua para depor como acusado no dia 21 de agosto, pela eventual responsabilidade que poderia ter no crime de acobertamento". No mesmo texto, Ezzati reiterou o seu compromisso pessoal e o da Igreja em Santiago com as vítimas na busca pela verdade e em respeito à Justiça.

"Tenho certeza que nunca encobri nem obstruí à Justiça e, como cidadão, cumprirei com o meu dever de fornecer tudo que contribua para esclarecer os fatos", afirmou o arcebispo.

A citação da principal autoridade da Igreja Católica do Chile é divulgada 24 horas depois de Ministério Público informar que investiga 158 pessoas com parte de 144 casos de abusos sexuais ou de outro tipo contra 266 vítimas. O diretor da Divisão especializada em Direitos Humanos, Crimes e Violência sexuais, Luis Torres, explicou que as vítimas poderiam chegar a 500, principalmente quando começarem a chegar denúncias de pessoas que moram longe da capital, num país que tem mais de 4 mil quilômetros de extensão.

O Ministério Público informou que solicitará ao Vaticano os relatórios que recebeu do papa Francisco a respeito dos abusos sexuais cometidos por padres e funcionários da Igreja. O órgão quer ter acesso ao texto elaborado pelo arcebispo Charles Scicluna, enviado do papa ao Chile, sobre abusos sexuais em território chileno.

Scicluna, que foi duas vezes ao Chile, reuniu o depoimento de 64 supostas vítimas e entregou ao papa um material com 2.300 páginas. Até agora, o pontífice aceitou a renúncia de cinco bispos, alguns deles acusados de encobrir abusos, mas novas denúncias surgiram, como as que apontam a religiosos da Sociedade de Maria e a um ex-assessor do arcebispado de Santiago, Óscar Muñoz, que está em prisão preventiva.