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Produtos somem de mercados e farmárcias da Venezuela após pacote econômico

27/08/2018 22h54

Caracas, 27 ago (EFE).- As prateleiras de supermercados e farmácias da Venezuela amanheceram vazias nesta segunda-feira, dia em que o pacote anunciado pelo presidente do país, Nicolás Maduro, para reativar a economia e encerrar a crise completa sete dias.

A Agência Efe pôde constatar a escassez em Caracas e nas cidades-satélites de Guarenas e Guatire, próximas à capital. Praticamente nenhum dos 25 produtos da cesta básica, cujos preços foram regulados na semana passada, foram encontrados.

Em vários supermercados de Caracas, os freezers que deveriam expor carne bovina estavam completamente vazios. Apenas alimentos processados, como hambúrgueres, estavam disponíveis.

Um açougueiro que preferiu não se identificar disse à Efe que a loja para a qual trabalha não está recebendo produtos e que não está claro quando os produtos voltarão a ser entregues.

A escassez de alimentos é geral e evidente. Nas prateleiras de artigos não perecíveis que não estão vazias, há poucos produtos importados que ocupam quase todo o espaço.

O ministro da Indústria e da Produção Nacional, Tareck El Aissami, disse que a regulação dos preços foi adotada pelo governo após um acordo com as 33 maiores agroindústrias do país. Os empresários negam e dizem que os valores foram impostos por Maduro.

Nas redes sociais, vários venezuelanos divulgaram hoje imagens das prateleiras vazias em supermercados de diferentes regiões do país, um fenômeno paralelo à queda de preços ordenada pelo governo.

A mesma situação se repetia nas farmácias do país.

Além da regulação de preços, o aumento do salário em 35 vezes e a implementação de um sistema de alta progressiva dos valores da gasolina fazem parte das medidas do novo plano econômico de Maduro, uma tentativa de recuperar uma economia que pode fechar 2018 com uma inflação de 1.000.000%, segundo o Fundo Monetário Internacional.

Maduro disse hoje, em um discurso em rede nacional de televisão e rádio, que as medidas trarão a recuperação econômica no curto prazo. Segundo o presidente, o plano é "justo e pertinente" e tem o apoio da população venezuelana para ser aplicado plenamente.