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Vaticano e China assinam acordo provisório sobre nomeação de bispos

22/09/2018 08h26

Cidade do Vaticano, 22 set (EFE).- O Vaticano e a China assinaram um acordo provisório sobre a nomeação de bispos, principal motivo de conflito entre ambas as partes, de acordo com um comunicado divulgado pela Santa Sé neste sábado.

Trata-se de um acordo histórico entre dois Estados, que não têm relações diplomáticas desde 1951.

O Vaticano não detalhou o conteúdo do acordo, mas afirmou que "é resultado de um enfoque gradual e recíproco, estipulado depois de um longo processo de negociações ponderadas e com a previsão de avaliações periódicas sobre sua implementação".

A Santa Sé explicou que o acordo provisório foi assinado hoje em reunião realizada em Pequim pelo subsecretário de Relações da Santa Sé com os Estados, Antoine Camilleri, e o vice-ministro das Relações Exteriores da República Popular de China, Wang Chao, como chefes das delegações vaticana e chinesa, respectivamente.

O acordo, informou o Vaticano, "trata sobre a nomeação de bispos, um assunto de grande importância para a vida da Igreja (católica), e cria as condições para uma parceria mais ampla em nível bilateral".

Ambas as partes compartilham a vontade de que "este acordo fomente um processo de diálogo institucional frutífero e contribua positivamente para a vida da Igreja Católica na China, para o bem do povo chinês e para a paz no mundo", conclui a nota.

O diretor do escritório de imprensa da Santa Sé, Greg Burke, explicou em breves declarações que "este não é o final do processo, mas o início".

"O objetivo do acordo não é político, mas pastoral, permitindo aos fiéis ter bispos que estejam em comunhão com Roma, mas ao mesmo tempo reconhecidos pelas autoridades chinesas", acrescentou.

Os laços diplomáticos entre China e o Vaticano são oficialmente inexistentes desde 1951 pelas excomunhões por parte de Pio XII de dois bispos designados por Pequim, ao qual as autoridades chinesas responderam com a expulsão do núncio apostólico, que se assentou na ilha de Taiwan.

A China, por sua vez, não reconhece o papa e tem sua própria Igreja Patriótica Católica desde 1949, quando Mao Tsé-Tung estabeleceu em Pequim a República Popular China.

No entanto, as tentativas de criar relações bilaterais entre China e Vaticano foram retomadas desde o pontificado de Francisco e ambas as partes manifestaram em diversas ocasiões vontade de melhorar seus laços.