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O que se sabe sobre a morte de testemunha-chave do caso Odebrecht na Colômbia

21/11/2018 22h57

Gonzalo Domínguez Loeda.

Bogotá, 21 nov (EFE).- Duas mortes misteriosas - a do engenheiro Jorge Enrique Pizano, de infarto, e a de seu filho Alejandro, por envenenamento com cianureto - acrescentaram um tom de mistério às investigações sobre os pagamentos de propinas pela Odebrecht a autoridades da Colômbia e contribuíram para colocar em xeque o procurador-geral do país, Néstor Humberto Martínez.

O mistério começou no último dia 8, na casa de campo de Pizano na cidade de Subachoque, próxima a Bogotá. O engenheiro, testemunha-chave do escândalo de corrupção, sofreu um ataque cardíaco fulminante enquanto se barbeava e acabou falecendo.

Alejandro, que estava em Barcelona, na Espanha, voltou à Colômbia para o funeral. Três dias depois, no escritório da residência do pai, onde revia alguns pertences, ele bebeu de uma garrafa d'água que encontrou na escrivaninha e desmaiou. Aos 31 anos, teve uma parada cardíaca e morreu enquanto era levado para um hospital. Posteriormente, legistas apontaram que a causa da morte foi ingestão de cianureto - que estava na água.



Quem era Jorge Enrique Pizano?

O engenheiro era auditor financeiro da concessão das obras de construção da rodovia Ruta del Sol II representando o Grupo Aval, uma das maiores empresas do país e parceira da Odebrecht no projeto.

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De que morreu Jorge Enrique Pizano?

Pizano, que sofria de um câncer linfático, morreu de infarto, de acordo com a autópsia oficial.

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De que morreu o filho do engenheiro, Alejandro Pizano Ponce de León?

Enquanto a família preparava documentos e colocava em ordem os pertences de Jorge Enrique Pizano após a sua cremação, bebeu uma garrafa d'água saborizada que encontrou na escrivaninha do escritório do pai e imediatamente passou mal. Acabou morrendo a caminho do hospital. Na garrafa, segundo uma análise do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, havia cianureto.

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O cianureto é mortal para os humanos?

Não necessariamente. É frequentemente utilizado para trabalhos com metais nobres e para combater pragas, entre outros usos. Porém, é letal quando misturado com água, transformado em um composto chamado ácido cianídrico.

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Havia cianureto na casa de Pizano?

Sim. Os investigadores encontraram um recipiente com um quilo de cianureto, que estava debaixo da pia de um banheiro.

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De onde procedia o recipiente e quem esteve em contato com ele?

Segundo a Promotoria, o recipiente foi comprado em uma loja de Bogotá de forma legal. Análises de DNA confirmaram que Pizano manuseou tanto as duas sacolas que envolviam o recipiente e sua tampa.

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É possível que Jorge Pizano tenha morrido envenenado com cianureto, assim como o filho?

Não. Após a confirmação de que Alejandro Pizano Ponce de León tinha morrido envenenado, o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses analisou de forma independente tecido coletado do corpo do pai e determinou que não havia contaminação por cianureto.

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Por que foram conservados tecidos de Pizano?

É um procedimento rotineiro na Colômbia, onde por lei são realizadas necrópsias em quem morre em casa. Como parte desse procedimento, são conservados tecidos, caso seja necessário fazer exames posteriores.

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Como o cianureto chegou à garrafa d'água da qual Alejandro bebeu?

Essa é a grande incógnita sobre o caso. As autoridades colombianas já confirmaram que tanto no corpo de Alejandro como na garrafa havia cianureto, e que a substância causou sua morte.

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-O que é a Ruta del Sol?

É uma grande rodovia em construção e que, quando estiver concluída, ligará o centro ao norte da Colômbia.

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Quem realiza a obra?

A construção do trecho II foi concedida a um consórcio liderado pela Odebrecht e cujo financiamento foi realizado pela Corficolombiana, cujo sócio majoritário é o Grupo Aval. Por isso, a empresa designou um auditor: Jorge Enrique Pizano.



Como a Odebrecht conseguiu a concessão?

A construtora brasileira pagou 84 bilhões de pesos (US$ 28,62 milhões) pela concessão, segundo a Promotoria colombiana.

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Quem é o proprietário do Grupo Aval?

Luis Carlos Sarmiento Ángulo, um dos homens mais ricos da Colômbia. Na época em que explodiu o escândalo de pagamento de propinas por parte da Odebrecht, o advogado dele era Néstor Humberto Martínez, atualmente o procurador-geral da Colômbia.

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Por que Pizano era testemunha-chave no caso Odebrecht?

Pelo papel como auditor. De fato, três meses antes de sua morte, ele deu uma entrevista à rede de televisão "Canal Uno" que foi divulgada após sua morte e na qual revelou que Martínez sabia, desde 2015, antes de assumir o cargo, das irregularidades na licitação para a construção da Ruta del Sol.



Pizano temia ser assassinado?

Sim, segundo ele mesmo escreveu à jornalista María Jimena Duzán em uma mensagem na qual revelou que colocava a vida em risco ao zelar pelos dados que prometia lhe confessar. A mensagem foi publicada pela jornalista na revista "Semana".

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Qual foi a resposta de Martínez?

O promotor alegou que Pizano levou a seu conhecimento, no segundo semestre de 2015, os resultados de uma investigação sobre contratos do consórcio Ruta del Sol, porque na "administração" do projeto não quiseram prestar atenção.