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Zuma diz que África do Sul deve pagar sua defesa em caso de corrupção

23/12/2018 17h53

Johanesburgo, 23 dez (EFE).- O ex-presidente da África do Sul Jacob Zuma anunciou neste domingo que irá apelar da sentença que o obriga a pagar os milionários custos de sua defesa em um caso de corrupção e apontou que se foram financiadas as defesas dos líderes do apartheid, ele também deve receber assistência.

"Muitos líderes do sistema (de segregação racial) do apartheid, alguns deles inclusive mataram meus colegas, foram acusados - e havia um grande número deles - e o Estado pagou pelos seus casos", afirmou Zuma em mensagem de vídeo publicada hoje em sua conta do Twitter, sem mencionar nomes particulares.

"Mas este mesmo estado está dizendo a mim, um dos que lutou por este Estado tão democrático, que eu devo pagar por mim mesmo. Portanto, os assassinos do apartheid devem ser defendidos pelo Estado, os lutadores do estado democrático devem pagar do próprio bolso", disse o ex-presidente do país entre 2009 e 2018.

Por isso, Zuma afirmou que instruiu seus advogados para que apelem do veredicto desfavorável emitido em 13 de dezembro pelo Superior Tribunal da província de Gauteng (centro), segundo o qual Zuma tem que deixar de receber a assistência financeira do Estado para pagar sua defesa em um caso de corrupção.

O Estado encarregava-se destes custos em virtude de um acordo fechado pela Presidência da África do Sul e a Promotoria antes de Zuma chegar à Chefia de Estado, no qual contemplava que o aparelho público custearia as despesas caso um alto cargo fosse acusado de crimes cometidos em exercício de sua função.

De acordo com a sentença, Zuma deverá, além disso, devolver todo o dinheiro fornecido pelas cofres públicos até agora, o que poderia ascender - segundo os partidos opositores, impulsores desta iniciativa legal - a 32 milhões de rands (2 milhões de euros).

Em seu veredicto, o tribunal considerou que os crimes dos quais Zuma é acusado nesta causa não são resultado de seu desempenho, mas de suas decisões a título pessoal.

Só nesta causa, que não é o único escândalo de corrupção que envolve Zuma, há 16 acusações de formação de quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude por cerca de 800 operações supostamente fraudulentas realizadas mediante um acordo de armas milionário assinado no final da década de 90.

A acusação seguiu um caminho judicial muito complexo durante mais de uma década até que, em março, o então procurador-geral da África do Sul, Shaun Abrahams, anunciou finalmente que o ex-presidente estava sendo formalmente acusado.

Zuma tinha renunciado um mês antes, forçado pelo seu próprio partido - o Congresso Nacional Africano (CNA), governante na África do Sul desde a chegada da democracia em 1994 - devido precisamente aos múltiplos escândalos de corrupção e à sua imagem de ineficiência.

As despesas legais se prolongam durante todo esse período e a defesa de Zuma tinha advertido aos tribunais que o ex-presidente não teria capacidade financeira para pagá-las.

Após a sentença desfavorável, influentes do CNA anunciaram que o partido ajudaria Zuma financeiramente.

Atualmente, a causa por corrupção está ainda nas vistas preliminares e não há data para o início do julgamento. EFE