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França investiga viagem de ex-agente de segurança de Macron ao Chade

26/12/2018 09h23

Paris, 26 dez (EFE).- A presidência da França abriu uma investigação interna para avaliar se Alexandre Benalla, ex-agente de segurança do presidente Emmanuel Macron, se aproveitou da influência de seu antigo cargo em uma viagem recente ao Chade.

Benalla qualificou nesta quarta-feira de difamatórias e irresponsáveis as declarações feitas contra ele por gente do entorno presidencial, em um novo episódio que fez ressurgir a tensão entre o Palácio do Eliseu e o antigo homem de confiança de Macron.

O ex-segurança viajou para o Chade no início deste mês e Macron, por sua vez, fez o mesmo em 22 de dezembro para se reunir com o presidente chadiano Idriss Déby e com soldados franceses que atuam no país africano.

A viagem de Benalla - que foi demitido em julho e indiciado por atos de violência cometidos durante a manifestação de 1º de maio em Paris, na qual ele se fez passar por um policial - foi revelada na última segunda-feira pelo jornal "Le Monde".

Benalla esteve acompanhado por meia dúzia de pessoas, viajou em um avião privado, pagou as despesas com cartão de crédito e, segundo o "Le Monde", se reuniu com o irmão do presidente do Chade, Oumar Déby, que é responsável pela Direção Geral da Reserva Estratégica (DGRS) do país.

O Palácio do Eliseu se apressou em dizer que, independentemente de quais atividades ele realizou, "não é um emissário oficial da presidência" e que, caso tenha se apresentado como tal, isto era falso.

A presidência francesa acrescentou que há uma investigação interna em andamento para analisar se Benalla se aproveitou de seu antigo cargo em favor de seus próprios interesses.

Através de um comunicado enviado aos veículos de imprensa franceses, Benalla tachou hoje de caluniosas as declarações "de certas pessoas do entorno do presidente" e garantiu que planeja denunciá-las à Justiça.

Benalla acrescentou que foi ao Chade para acompanhar uma delegação econômica estrangeira que realiza investimentos no país e destacou que as despesas foram pagas pela mesma.

O chamado "Caso Benalla" provocou uma das maiores crises políticas do mandato de Macron, diante das suspeitas de que o governo teria tentado abafar os fatos, e levou o chefe de Estado a ser alvo de duas moções de censura na Assembleia Nacional, que foram superadas graças à grande maioria do partido presidencial. EFE