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Colômbia pede libertação de fotógrafo da Efe desaparecido em Caracas

30/01/2019 23h57

Bogotá, 30 jan (EFE).- O governo da Colômbia pediu nesta quarta-feira a "libertação imediata" do fotojornalista colombiano da Agência Efe Leonardo Muñoz, que desapareceu junto ao motorista venezuelano José Salas, em Caracas, onde desenvolvia seu trabalho profissional em meio à crise que assola a Venezuela.

"O governo da Colômbia rejeita a detenção na Venezuela do cidadão colombiano Leonardo Muñoz, fotógrafo da Agência Efe, e exige sua libertação imediata. Nós exigimos respeito pela vida de nosso compatriota", afirmou o ministro das Relações Exteriores colombiano, Carlos Holmes Trujillo, no Twitter.

O governo colombiano recebeu informações da ONG Foro Penal Venezuelano que Muñoz foi levado pela "Direção de Contrainteligência Militar (DGCIM)".

"Desde que soubemos do desaparecimento de Leonardo Muñoz, que cobria a situação da Venezuela para a Efe, estamos atentos e à frente da situação através de nosso Cônsul e nosso Encarregado de Negócios. Nós exigimos respeito por sua integridade e a liberdade de imprensa", completou Trujillo.

A esse respeito, o governo ativou todos os mecanismos de busca para tentar descobrir seu paradeiro, enquanto a Migração colombiana avisou a todos os postos de controle da fronteira terrestre e aérea para que estejam atentos em caso de deportação.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP) disse na sua conta do Twitter que está em "alerta pela possível detenção" de Muñoz, já que asseguram que "colegas relatam que o teriam levado da praça Altamira" em Chacao, no leste de Caracas.

A equipe foi registrada pelas autoridades no aeroporto internacional Simón Bolívar de Maiquetía, que serve Caracas, e ali declararam o trabalho jornalístico que realizariam na Venezuela.

Salas e Muñoz partiram no começo da manhã desta quarta-feira para trabalhar nas jornadas de protesto no leste de Caracas e a última vez que tiveram contato com seus companheiros foi por volta de 11h (horário local, 13h de Brasília).

As autoridades venezuelanas estão informadas do fato sem que até agora tenham dado alguma resposta a respeito.

Segundo o SNTP, a DGCIM "seria a responsável pelas detenções de outros repórteres", entre eles Muñoz.

O advogado da Agência Efe se apresentou diante dos escritórios da DGCIM sem que até o momento tenha obtido resposta sobre se Muñoz e Salas se encontram entre os detidos.

Diante dessa situação, diversas ONGs e meios de comunicação colombianos entraram em contato com a Agência Efe para expressar sua solidariedade.

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, disse hoje que os jornalistas da imprensa estrangeira e agências que visitam o país devem cumprir as autorizações e "procedimentos essenciais" para realizar sua cobertura na Venezuela.

"Como em qualquer país do mundo, os jornalistas não podem auto atribuir-se uma credenciamento. Veículos de imprensa e agências internacionais sabem que, para evitar inconvenientes desnecessários, eles devem concluir os procedimentos necessários nos Consulados, antes de sua viagem ao país", disse Arreaza, no Twitter.

O ministro acrescentou que "alguns jornalistas estrangeiros entraram" na Venezuela "de forma irregular sem cumprir previamente com a respectiva solicitação da licença de trabalho" nos Consulados.

Ontem, quatro jornalistas, dois venezuelanos e dois chilenos, foram detidos quando cobriam a atividade de vigília convocada pelo governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) nas imediações do Palácio de Miraflores.

Os dois venezuelanos, Maiker Yriarte e Ana Rodríguez, foram libertados hoje pela manhã, enquanto, de acordo com a informação oferecida pelo SNTP, enquanto os chilenos Rodrigo Pérez e Gonzalo Barahona foram deportados.

Outros dois jornalistas franceses, que viajaram a Caracas para cobrir a crise política venezuelana, também foram detidos durante esta terça-feira, segundo denunciou o "Quotidien", programa transmitido pela emissora de televisão para a qual trabalham.

Segundo a emissora "Franceinfo", trata-se de Pierre Caillet e Baptiste dês Monstiers, que supostamente foram detidos enquanto gravavam no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas. EFE