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Cristina Kirchner nega participação em corrupção e acusa promotor de extorsão

25/02/2019 13h02

Buenos Aires, 25 fev (EFE).- A ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, negou sua participação nos oito casos de corrupção pelos quais está sendo investigada e foi intimada a depor nesta segunda-feira, além de acusar o promotor Carlos Stornelli, investigado por suposta extorsão a empresários, de "tergiversar" os depoimentos dos acusados.

No texto que apresentou ao juiz responsável, Claudio Bonadio, a ex-presidente se referiu ao chamado "caso dos cadernos", do qual derivam as outras sete investigações, para qualificá-lo como "caso das fotocópias", alegando que o mesmo "foi aberto com base em simples fotocópias de supostos cadernos que nunca foram vistos".

Cristina afirmou que os processos aos quais está sendo submetida são "uma perseguição e crueldade a que só se atreveram governos totalitários em tempos nos quais o Estado de Direito estava suspenso" e afirmou que tanto Stornelli como o juiz Bonadio criaram "um roteiro" contra si.

"A partir de simples fotocópias, o juiz ordenou a detenção de dezenas de pessoas com o objetivo indiscutível de pressioná-las e obrigá-las a recitar um roteiro que já estava armado, isto é: que os governos anteriores constituíam uma 'organização criminosa'", destacou a ex-presidente em seu texto.

"Hoje, e à luz dos testemunhos, depoimentos, gravações e outras provas que surgiram durante os expedientes do tribunal e da promotoria a cargo de Bonadio e Stornelli, respectivamente, está mais do que claro que isto ocorreu de tal maneira para que não ficassem marcas de como essas pessoas foram extorquidas e suas manifestações tergiversadas e/ou armadas, sempre contra mim", acrescentou Cristina.

Além disso, a ex-presidente assinalou que essas acusações relativas ao promotor e ao juiz não se baseiam em uma "elucubração", mas "encontram sustentação em declarações públicas formuladas por jornalistas que jamais tiveram simpatia" com suas posições políticas.

Com o texto apresentado, Cristina evitou fazer declarações diante do juiz pelas acusações para as quais ela afirma que não existem provas contra si.

"Apesar de não existir prova alguma contra mim e de não haver possibilidade de exercer minimamente o direito de defesa, fui processada, naturalmente, pelo crime de formação de quadrilha, ao qual foi somado, como disse Bonadio 'mais ou menos assim', outros supostos delitos", ressaltou a ex-presidente.

Cristina prosseguiu com sua defesa no texto assegurando que as sete ações que derivaram do "caso dos cadernos", nasceram porque este último foi, "paulatinamente, perdendo o impacto que era esperado diante da opinião pública", o que levou à abertura de "novos casos que o tribunal reteve para si".

"Receberam depoimentos de personagens curiosos que se apresentam 'espontaneamente' na promotoria de Stornelli, solicitaram alguns papéis ao Poder Executivo da Nação e, com tudo isso (ou seja, nada), me intimaram a prestar depoimento em oito casos diferentes, sem explicar pelo menos em uma única linha o motivo de tais intimações", acrescentou Cristina Kirchner.

Apesar de não terem transcendido os detalhes de todos os casos pelos quais a ex-presidente foi intimada a depor, estes se articulam em torno do "caso dos cadernos", no qual ela é acusada de participar de um suposto esquema de pagamentos de propina em troca de contratos públicos que começou com o governo de seu falecido marido, Néstor Kirchner (2003-2007), e continuou durante os seus mandatos, entre 2007 e 2015.

Por esse caso, o juiz federal Claudio Bonadio a considera "chefe da quadrilha", a processou e solicitou sua prisão preventiva, algo que não se tornou efetivo porque Cristina é senadora e tem foro privilegiado. EFE