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Equipe da "Univisión" já está em aeroporto venezuelano para ser deportada

26/02/2019 11h28

Caracas, 26 fev (EFE).- A equipe de jornalistas da emissora de televisão americana "Univisión" que viajou a Caracas para fazer uma entrevista com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e foi retida no palácio presidencial, já se encontra no Aeroporto Internacional de Maiquetía para ser deportada, disse nesta terça-feira o Sindicato de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) venezuelano.

Em mensagem no Twitter, o SNTP afirmou que a equipe da emissora hispânica, liderada pelo jornalista Jorge Ramos, chegou às 8h05 (horário local, 9h05 em Brasília) ao aeroporto, para ser deportada e que a saída do voo que pegarão está prevista para o meio-dia.

"A equipe da 'Univisión' será deportada no voo AA1483, da American Airlines, com destino Miami", afirmou em outra mensagem o sindicato, após informar que são cinco pessoas as que serão deportadas.

Dois funcionários venezuelanos da emissora em Caracas, Francisco Urreiztieta e Édgar Trujillo, também sairão da Venezuela por medidas de segurança, embora não tenham sido deportados, disse o presidente do SNTP, Marco Ruiz, a uma rádio local.

Segundo o sindicato, Ramos e seus colegas foram escoltados até o aeroporto pelo Serviço de Inteligência venezuelano, que os vigiou durante toda a noite no hotel em que estavam hospedados, depois de saírem do palácio presidencial de Miraflores.

Após sua "libertação", Ramos disse à emissora hispânica que a retenção dele e de seus companheiros María Martínez, Claudia Rondón, Juan Carlos Guzmán, Martín Guzmán e Francisco Urreiztieta ocorreu depois que Maduro não gostou de algumas perguntas e vídeos que a equipe lhe mostrou.

De acordo com o jornalista Enrique Acevedo - também da "Univisión" -, o vídeo que Ramos levou até Maduro mostra alguns jovens comendo o que tiravam de um caminhão de lixo e dizendo que Maduro precisa ser "tirado" do poder.

"Como do lixo, do lixo, primeira vez na minha vida. Presidente, me desculpe, mas o senhor como presidente não serve", diz um homem identificado como Jesús no vídeo compartilhado por Acevedo em sua conta no Twitter.

O material da entrevista de Ramos foi confiscado pelo Governo, disse o jornalista.

Esta não é a primeira vez que jornalistas são impedidos de trabalhar na Venezuela. Segundo o SNTP, só em janeiro foram registrados 40 casos de agressões por parte dos corpos de segurança do Estado contra trabalhadores da imprensa, além de várias detenções. EFE