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Repórter deportado da Venezuela denuncia "natureza ditatorial" de Maduro

26/02/2019 18h05

Miami, 26 fev (EFE).- O jornalista Jorge Ramos, que ficou retido por mais de duas horas junto com a sua equipe da emissora "Univision" no palácio presidencial da Venezuela na segunda-feira, disse ao chegar deportado a Miami que a situação pela qual passou mostra a "natureza ditatorial" do presidente Nicolás Maduro.

"Se fazem isto conosco, imagina o que farão com os jornalistas e cidadãos venezuelanos", ressaltou o mexicano ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Miami, onde era aguardado por diversos jornalistas.

Ramos retornou com a equipe que o acompanhou à Venezuela para entrevistar Maduro, incluindo dois jornalistas venezuelanos.

Os não venezuelanos foram deportados por ordem de Maduro, que, segundo a versão de Ramos, não gostou das perguntas feitas e abruptamente encerrou a entrevista. Em seguida, a equipe jornalística ficou retida por duas horas e meia e teve os equipamentos e telefones confiscados pelos agentes de segurança.

Além disso, Ramos denunciou que "roubaram" os 17 minutos de entrevista que foram gravados na ocasião e desafiou o governo venezuelano a exibir as imagens.

Após passar o fim de semana na fronteira com a Colômbia para acompanhar a tentativa de entrega da ajuda humanitária, o jornalista disse que viu Maduro "fortalecido", mas ao mesmo tempo alheio às milhares de pessoas que desistiram de apoiar ao chavismo. Segundo Ramos, Maduro não se dá conta que "fora da bolha do Palácio de Miraflores (sede do governo venezuelano) as coisas são diferentes".

O jornalista se referia a um vídeo que gravou com o celular nas ruas de Caracas. Na gravação é possível ver pessoas comendo restos encontrados em um caminhão de lixo. Ramos mostrou esse vídeo a Maduro, o que pode ter motivado a interrupção da entrevista. EFE