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Família quer reabrir mausoléu de Mussolini

O ditador italiano Benito Mussolini faz a saudação fascista. - Arquivo/Getty Images
O ditador italiano Benito Mussolini faz a saudação fascista. Imagem: Arquivo/Getty Images

Cristina Cabrejas

De Predappio (Itália)

28/07/2019 17h02

O mausoléu onde está enterrado Benito Mussolini foi fechado em 2017 para uma restauração e, desde então, só foi aberto em algumas ocasiões especiais, como neste domingo, véspera do aniversário do nascimento do ditador italiano.

Porém, a pequena cidade de Predappio, onde fica o mausoléu, pede que ele seja acessível ao público todo o ano. E os descendentes de Mussolini, que hoje lá estiveram para prestar homenagens ao antepassado, garantiram que o local será reaberto e que não se afetam com críticas.

Enquanto o governo da Espanha mantém uma batalha legal com a família de Francisco Franco por ela ter decidido transferir os restos mortais do ex-ditador do Vale dos Caídos para a Catedral de La Almudena, no centro de Madri, os descendentes de Mussolini nunca tiveram problemas para manter o mausoléu aberto.

O vice-presidente nacional da Associação de Partisanos da Itália, Emilio Ricci, lamentou que ocorra "uma procissão que mancharia a memória das muitas vítimas dos crimes fascistas, das suas leis raciais e da colaboração com os nazistas que levou ao massacre de mulheres, homens e crianças inocentes", algo contrário à Constituição da República e às leis vigentes.

Hoje, Predappio sediou desfiles de saudosistas e admiradores do fascismo, do "Duce" ou simples curiosos, mas sem registro de tumultos e confrontos. Bandeiras e outros símbolos fascistas foram evitados, depois de polêmicas em outras ocasiões.

"Estamos sob observação", disse um dos organizadores de um dos atos em homenagem a Mussolini hoje em Predappio e que pediu a centenas de pessoas presentes para que colocassem a mão no peito em vez de fazer a saudação romana.

"Camarada Mussolini. Presente!", gritou três vezes o público do ato, ciente de que está em jogo a abertura do mausoléu.

O primeiro prefeito de direita em 75 anos em Predappio, eleito em maio com mais do 60% dos votos, Roberto Canali, prometeu em campanha eleitoral que o mausoléu será aberto, mas tanto ele como a família do 'Duce' pediram respeito.

O local tem sido aberto atualmente em três ocasiões: para lembrar a morte do ditador (28 de abril), o nascimento (29 de julho) e em 28 de outubro, quando é homenageda a chamada Marcha sobre Roma de 1922, que o levou ao poder.

No resto do ano, Predappio deixa de ser um lugar de peregrinação e se torna um pacato povoado.

"As críticas não me preocupam. Sabíamos que haveria críticas pelo aspecto político e que elas continuarão a ser feitas, mas eu tenho que me preocupar é com o que pensam os meus concidadãos, e para eles a abertura do mausoléu é positiva, porque gera um fluxo de pessoas que vão às lojas, aos bares e restaurantes, e é um benefício para toda a comunidade", argumentou o prefeito à Agência Efe.

Um dos bisnetos do 'Duce', Caio Giulio Cesare Mussolini, que foi candidato às eleições para o Parlamento Europeu pelo partido Fratelli D'Italia, disse à Efe que as novas polêmicas pela possível abertura do mausoléu são "ridículas".

"Sempre esteve aberto. Foi fechado para manutenção, mas sempre esteve aberto. Também depois da guerra, quando vivíamos tempos bem diferentes", disse o político, de 51 anos.

"Não há nenhum problema (em reabrir). É um lugar privado, mas que pertence, para o bem ou para o mal, ao Estado italiano e, como já era, queremos que volte a ser acessível a todo mundo", alegou.

Neto de Vittorio Mussolini, que era filho do ditador fascista, Caio Giulio nega as acusações de que as manifestações de hoje fossem "apologia do fascismo", pois, de acordo com ele, "não há nenhuma tentativa de reconstrução desta ideologia".

"É preciso visitar o mausoléu sem um discurso político, mas só histórico, conhecer o que Mussolini fez. Os fatos", afirmou.