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Ex-assessor de Trump é condenado por mentir em investigação sobre a Rússia

15.nov.2019 - Roger Stone, ex-assessor do presidente americano, Donald Trump, ao chegar para julgamento em Washington - Yara Nardi/Reuters
15.nov.2019 - Roger Stone, ex-assessor do presidente americano, Donald Trump, ao chegar para julgamento em Washington Imagem: Yara Nardi/Reuters

De Washington

15/11/2019 15h50Atualizada em 15/11/2019 16h12

Roger Stone, um dos assessores mais próximos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi declarado culpado nesta sexta-feira (15) por um tribunal federal de Washington, de todas as acusações que enfrentava em um caso relacionado à suposta interferência russa nas eleições americanas de 2016.

Aos 67 anos, Stone pode ser condenado a uma pena máxima de 50 anos de prisão por sete acusações, entre elas a de mentir ao Congresso. No entanto, a expectativa é que a sentença seja muito mais leve por se tratar de uma primeira condenação.

A reação de Trump não demorou para chegar. O presidente criticou o "critério duplo" da Justiça, ao comparar os delitos cometidos por Stone com o comportamento da ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton e do ex-diretor do FBI Jamey Comey, entre outros.

"Então, agora condenam Roger Stone por mentir e querem prendê-lo por muitos anos. O que acontece com a desonesta Hillary, Comey, (o ex-agente do FBI Peter) Strzok, (a também ex-agente Lisa) Page, (o diretor adjunto do FBI, Andrew) McCabe, (o ex-diretor da CIA John) Brennan, (o diretor de Inteligência Nacional, James) CLapper, o suspeito (congressista democrata Adam) Schiff, (o ex-procurador-geral adjunto Bruce) Ohr e (sua esposa) Nellie, (o ex-espião britânico Christopher) Steele e todos os outros, incluindo o (ex-procurador especial Robert) Mueller? Não mentiram?", escreveu no Twitter.

Segundo Trump, trata-se de "um critério duplo como nunca se viu na história do país".

Stone, que trabalhou até agosto de 2015 na campanha eleitoral de Trump e depois manteve contato regular o republicano, foi detido pelo FBI em 25 de janeiro em Fort Lauderdale, na Flórida.

Ele havia sido acusado de cinco crimes de falso depoimento, além de obstrução do procedimento oficial e manipulação de testemunhas. Tudo vinculado à investigação sobre a trama russa.

Segundo a procuradoria, Stone atuou como elo entre a campanha de Trump em 2016 e a plataforma Wikileaks, que divulgou e-mails roubados do Comitê Nacional Democrata que eram "prejudiciais" à campanha de Hillary.

A equipe que comandou a investigação da trama russa afirmou neste ano que tinha provas de que Stone se comunicou com a plataforma Wikileaks durante o ataque ao servidor dos democratas em 2016.

Mueller garantiu que sua equipe "obteve e executou dezenas de órdens de apreensão em várias contas utilizadas para facilitar a transferência de documentos roubados, para a sua liberação".

"Várias dessas ordens foram executadas em contas que continham as comunicações de Stone com Guccifer 2.0 e com a Organização 1", que é o Wikileaks, de acordo com o documento judicial.

O midiático julgamento de Stone, que começou em 5 de novembro, contou na semana passada com o depoimento de Steve Bannon, ex-estrategista de Trump, que reconheceu que a campanha eleitoral do atual presidente via o acusado como um possível elo com o Wikileaks.

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