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Bolsonaro demite Mandetta: cronologia de um "divórcio consensual"

17/04/2020 00h35

Brasília, 16 abr (EFE).- O presidente Jair Bolsonaro demitiu nesta quinta-feira Luiz Henrique Mandetta como ministro da Saúde, após várias semanas de tensões que se agravaram no mesmo ritmo da pandemia do novo coronavírus, que já causou quase 2 mil mortes no Brasil.

Desde que o vírus foi detectado no país, no final de fevereiro, Mandetta manifestou publicamente suas divergências com o presidente Bolsonaro quanto à necessidade de impor à população o isolamento social, medida que conta com forte oposição do presidente, que enfatiza a necessidade de reativar a economia.

A saída de Mandetta estava sendo especulada há vários dias, mas se concretizou nesta quinta-feira, após alfinetadas do agora ex-ministro em entrevistas e desafio ao isolamento social por parte do presidente, que, ao anunciar a troca de comando da pasta da Saúde, a tratou como um "divórcio consensual".

Confira a cronologia dos principais eventos e desentendimentos entre Bolsonaro e Mandetta:.

- 26 de fevereiro: Primeiro caso do novo coronavírus no Brasil.

- 15 de março: O presidente Jair Bolsonaro participa de uma manifestação em Brasília a favor de seu governo, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde.

- 17 de março: Primeira morte por Covid-19 no Brasil.

- 20 de março: Surgem as primeiras discrepâncias entre Bolsonaro e Mandetta. Enquanto o presidente insiste em criticar as recomendações dos estados para suspender cultos religiosos e fechar shoppings, o ministro adverte que o sistema de saúde entrará em colapso nos próximos meses se o ritmo de contágios não diminuir.

- 22 de março: Mandetta alerta sobre o uso de cloroquina, droga defendida repetidamente por Bolsonaro para o tratamento da Covid-19, apesar de não haver estudos médicos conclusivos sobre ela.

- 23 de março: a popularidade de Mandetta durante a gestão da crise de saúde começa a ofuscar Bolsonaro. Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha, a aprovação da gestão do ministro durante a pandemia chegou a 55%, enquanto a de Bolsonaro foi de 35%.

- 24 de março: Estado mais atingido pela pandemia no Brasil, São Paulo anuncia o início de uma quarentena para conter a propagação do coronavírus, uma medida que foi duramente criticada por Bolsonaro.

O Ministério da Saúde apoiou a quarentena, mas sugeriu que a medida, por ser um "remédio extremamente amargo", poderia ser limitada a "um bairro ou uma cidade", em vez de afetar todo um estado.

- 28 de março: Enquanto os apoiadores de Bolsonaro promovem campanhas para acabar com o confinamento, o ministro da Saúde reforça a necessidade de manter o isolamento social, defende que os brasileiros devem ficar em casa e ressalta que sua equipe será orientada apenas pela "ciência".

- 29 de março: Bolsonaro, contrariando as recomendações de isolamento social defendidas pela Mandetta, visita vários estabelecimentos em Brasília.

- 30 de março: Após chamar a Covid-19 de "gripezinha", Bolsonaro infla seu discurso e pede um "pacto nacional" para preservar a vida, "mas também empregos". Mandetta insiste sobre a necessidade do isolamento social.

- 1º de abril: Um dia depois de baixar o tom de seu discurso, Bolsonaro volta a criticar os governadores e usa o Twitter para divulgar um vídeo com conteúdo falso sobre desabastecimento na Ceasa de Belo Horizonte. Posteriormente, ele apagou a postagem de sua conta.

- 2 de abril: Aumentam as divergências entre Bolsonaro e Mandetta, acusado pelo presidente de "falta de humildade".

- 3 de abril: Aprovação do Ministério da Saúde continua a crescer em meio à crise do coronavírus e atinge 76%, mais que o dobro da obtida pelo presidente, que cai para 33%, de acordo com pesquisa do Datafolha.

- 5 de abril: Bolsonaro garante que não "tem medo" de demitir membros de seu governo que "se tornaram estrelas". A tensão entre Mandetta e o presidente aumenta.

- 6 de abril: Após várias conjecturas sobre sua saída, Mandetta confirma a permanência no cargo. "Continuaremos enfrentando nosso inimigo (o coronavírus)", disse ele após uma reunião com Bolsonaro e outros ministros.

- 12 de abril: Após alguns dias com tom mais ameno, Mandetta faz uma crítica velada a Bolsonaro e exige um "discurso unificado" do governo para combater o coronavírus, em entrevista à "TV Globo". A mensagem gerou descontentamento no governo.

- 15 de abril: Em entrevista à revista "Veja", Mandetta diz que ficará no cargo "até encontrarem uma pessoa para assumir" a pasta e revela desgaste com a situação: "permanecer no governo? Não, não. São 60 dias nessa batalha. Isso cansa!".

- 16 de abril: Bolsonaro demite Mandetta e anuncia Nelson Teich como novo ministro da Saúde.