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Brasil e mais 3 países são apontados como os piores no combate à pandemia

23/04/2021 23h56

Cidade do México, 23 abr (EFE).- Estados Unidos, Brasil, Colômbia e México são, nesta ordem, os quatro países do mundo com o pior desempenho para combater a pandemia da Covid-19, de acordo com um relatório feito pelo Colegio de México (Colmex).

Ao analisar o caso do México, o diretor do Instituto de Ciências da Saúde Global da Universidade da Califórnia em San Francisco e coautor do estudo "Resposta do México ao Covid-19", Jaime Sepúlveda, detalhou que entre as conclusões a que chegaram está o fato de que o país tinha muitas deficiências na luta contra a crise sanitária.

Entre esses fracassos está a falta de antecipação segundo o estudioso, que considera que oportunidades preciosas foram perdidas para se preparar para a chegada do coronavírus. Da mesma forma, houve deficiências na incorporação de evidências científicas e falta de capacidade para reconhecer erros e corrigir políticas.

O pesquisador disse que, de acordo com o relatório, ficou evidenciado que as autoridades mexicanas minimizaram o uso de testes diagnósticos e ridicularizaram o uso de máscaras, o que, em sua visão "teve efeitos devastadores".

Ao mesmo tempo, ainda na explicação de Sepúlveda, houve uma séria subestimação dos casos reais. Estima-se que em novembro de 2020 apenas um em cada 30 casos que existiam estavam sendo detectados.

POBRES SÃO OS MAIS AFETADOS.

O pesquisador do Colmex Mariano Sánchez, coautor do estudo, declarou que após o relatório é possível detectar enormes desigualdades no sistema de saúde, por exemplo, que a taxa de mortalidade é menor no setor privado.

"Se você estiver hospitalizado no Instituto Mexicano de Seguridade Social (IMSS), sua chance de morrer pode chegar a mais de 50%, nada a ver com a taxa de 20% de mortalidade por covid em hospitais privados", comparou.

Sánchez destacou que as pessoas mais pobres terem menos probabilidade de ter acesso a testes, além da superlotação das casas, com espaços mal ventilados e a transferência forçada no transporte público de massa, são fortes fatores de contágio. "Todos esses elementos se somam à evidência de que as pessoas mais pobres estavam mais expostas ao vírus", comentou.

CARÊNCIAS NAS CAMPANHAS DE VACINAÇÃO.

Jaime Sepúlveda demonstrou preocupação com a mortalidade entre funcionários da área da saúde. Isso, segundo ele, foi causado pela exclusão do setor da campanha de vacinação e pela falta de um plano claro de imunização.

"Não há informações detalhadas sobre o número de doses, nem sobre as áreas geográficas onde serão aplicadas. Não há lógica epidemiológica no plano de vacinação, ele parece responder mais à política eleitoral do que ao bem-estar da população", ponderou.

Os especialistas disseram que o estudo deveria servir para aprender lições e, se possível, mudar de rumo e melhorar o financiamento do sistema de saúde.

O relatório, com mais de 120 páginas, baseia-se em mais de 400 referências bibliográficas e foi conduzido a pedido do painel independente da Organização Mundial da Saúde (OMS) com apoio do Instituto de Ciências da Saúde Global da UCSF.