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Conteúdo publicado há
3 meses

Presidente da Colômbia volta a mostrar desconfiança com diálogo na Venezuela

21/09/2021 20h04

Nações Unidas, 21 set (EFE).- O presidente da Colômbia, Iván Duque, afirmou nesta terça-feira, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que os diálogos que acontecem no México entre o governo e a oposição da Venezuela são positivos, mas que é preciso não haver ingenuidade sobre os resultados que podem ser alcançados.

"Os diálogos entre o governo interino da Venezuela, que encarna a resistência democrática, e a narcoditadura, embora nos deem alguma esperança, não nos permite ser ingênuos, pois o único desfecho efetivo destes encontros é a convocação, o quanto antes, de uma eleição presidencial livre, transparente e com uma minuciosa observação internacional", disse o chefe de governo.

O regime de Nicolás Maduro e um setor da oposição iniciaram em 13 de agosto, no México, rodadas de negociação, que têm Rússia e Holanda como acompanhantes, e a Noruega como mediadora. O próximo encontro marcado, o terceiro, acontecerá entre a próxima sexta-feira e segunda-feira.

Duque, que discursou hoje pela última vez como presidente da Colômbia em uma Assembleia Geral da ONU, já que tem mandato terminando em agosto do ano que vem, dedicou parte da fala à crise na Venezuela e defendeu a postura de que a única saída possível para a situação é a troca de governo no país.

"O fim da ditadura é o único caminho viável para o bem-estar do povo venezuelano e deve ser o propósito da ação internacional", garantiu o chefe de governo colombiano.

Duque reforçou assim o que já havia expressado na última sexta-feira, em entrevista concedida em Madri à presidente da Efe, Gabriela Cañas, em que mostrou desconfiança sobre os possíveis resultados dos diálogos que ocorrem no México.

DESASTRE HUMANITÁRIO.

O chefe de governo da Colômbia afirmou hoje na sede da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos, sem citar o nome de Maduro, que enquanto este permaneça no poder, mais graves serão as consequências da crise na Venezuela, em especial, a migratória.

"Qualquer saída que perpetue o absurdo ditatorial e permita que o regime ganhe tempo, irá tornar mais grave o maior desastre humanitário que nosso continente já conheceu", disse Duque.

O presidente colombiano lembrou que, além da pandemia da covid-19, teve que enfrentar "a maior crise migratória que o planeta enfrenta, com milhões de venezuelanos que fogem da narcoditadura e da infâmia".

De acordo com dados divulgados pelo governo da Colômbia, atualmente, há no país mais de 1,8 milhão de migrantes provenientes do país vizinho, aos quais foi oferecido o Status de Proteção Temporal, com o objetivo de regularizar a situação no país por dez anos.

"Estamos assumindo este desafio sem ser um país rico e com um enorme custo fiscal. Essa situação exige que, através das tabelas de doadores estabelecidas, os recursos dos compromissos da comunidade global sejam mobilizados, e eu convido a comunidade mundial a fazer isso", cobrou Duque.