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Jamil Chade, colunista do UOL, recebe ameaças de morte nas redes sociais

Do UOL, em São Paulo

09/05/2022 14h54

O jornalista Jamil Chade, colunista do UOL, tem sido alvo de ameaças de morte nas redes sociais desde o último sábado. Segundo ele, os ataques se intensificaram após a publicação de uma coluna sobre o ódio como instrumento político nas eleições.

O jornalista, que reproduziu as agressões em seu perfil no Twitter, citou os episódios como "ameaça contra a liberdade de imprensa". Políticos, artistas e jornalistas se posicionaram sobre o caso nas redes sociais repudiando as ameaças.

Em um dos ataques, reproduzido pelo jornalista, o autor da ameaça diz esperar vê-lo em uma "geladeira do IML" (Instituto Médico Legal), para onde são levados os mortos.

O próprio Jamil relacionou as ameaças de morte à coluna em que fala sobre a política do ódio. "Em 2022, não estamos apenas votando para presidente. Estamos definindo quem somos", tuitou.

O jornalista relacionou as ameaças ao objetivo de "minar o acesso à informação" em um momento que aponta como fundamental para a sobrevivência da democracia no país.

Uma ameaça de morte contra um jornalista é uma ameaça contra a liberdade de imprensa. O objetivo desses ataques é minar o acesso à informação num momento chave para a sobrevivência da democracia no Brasil. Não nos intimidaremos
Jamil Chade, colunista do UOL

O colunista também cobrou providências do governo brasileiro em nome da defesa dos direitos humanos, da democracia e de tratados assinados junto à ONU (Organização das Nações Unidas).

"O governo brasileiro promove e assina declarações na ONU pela proteção dos jornalistas. Mas se não agir dessa maneira diante de ameaças que tantos de nós sofremos, o que a diplomacia faz é mentir para a comunidade internacional sobre quais são suas políticas de direitos humanos e de defesa da democracia."

Políticos e artistas declaram apoio

Políticos e artistas usaram os seus perfis nas redes sociais para repudiar as ameaças. Em mensagem enviada ao jornalista, a cantora Zélia Duncan se referiu aos autores do ataque como "covardes de internet".

"Amigo querido, você bem sabe, estamos na lama e isso que você está experimentando é proporcional à sua importância e esses covardes de internet não passarão" escreveu.

"Cadeia para esta gente. Minha solidariedade e o conselho: denuncie", tuitou a deputada federal Joice Hasselmann (PSDB).

"Minha solidariedade, Jamil. Venceremos essa maré de ódio", escreveu a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB).

Já a deputada federal Maria do Rosário (PT) relacionou os ataques ao que entende como "incentivo à violência" de quem está no poder, em referência indireta ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Já a filósofa Marcia Tiburi citou diretamente o presidente em sua mensagem de apoio, falando da intensificação de ataques de ódio desde 2018, quando Bolsonaro foi eleito.

O ex-deputado Jean Wyllys, que abriu mão do mandato em janeiro de 2019 justamente em função de ameaças de morte, também citou os ataques que recebe em manifestação de apoio ao jornalista.

"Minhas redes também estão cheias dessas ameaças. Mas quanto mais ameaçam, mais eu falo, mais eu faço! Força!", escreveu.