Oposição colombiana analisa novo acordo de paz entre governo e Farc

BOGOTÁ (Reuters) - A oposição colombiana começou nesta segunda-feira a analisar o novo acordo de paz assinado pelo governo do presidente Juan Manuel Santos e as Farc, antes de decidir se apoia ou sugere mudanças ao texto publicado depois de ajustes em relação a um pacto inicial rejeitado em um plebiscito.

O novo acordo possui algumas mudanças. Especifica sobre direitos da propriedade privada, um tribunal especial de Justiça e os locais de confinamento onde os rebeldes devem cumprir penas privativas de liberdade de entre 5 e 8 anos pelos crimes cometidos durante o conflito armado, que durou mais de 52 anos.

Além disso, inclui esclarecimentos sobre o combate ao narcotráfico, obriga a guerrilha a entregar todos seus bens para indenizar as vítimas e estabelece que a implementação dos acordos será feita sem colocar em risco à estabilidade fiscal do país.

Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que mantiveram conversas em Havana durante quatro anos, disseram que o novo acordo incorporou propostas da oposição, líderes religiosos e outros setores que rejeitaram o acordo inicial na consulta popular realizada no início de outubro.

Os líderes da guerrilha, no entanto, ainda poderão ser escolhidos para cargos públicos e o partido político que surgir das Farc terá 10 cadeiras no Congresso durante duas legislaturas, mesmo sem alcançar os votos necessários. Esse foi um dos pontos criticados anteriormente pela oposição liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

"Nós no Centro Democrático já dissemos que não vamos nos pronunciar sobre o novo acordo anunciado em Havana até conhecermos como está redigido", disse Óscar Iván Zuluaga, um dos dirigentes do partido político liderado por Uribe.

Santos, vencedor do Nobel da Paz no mês passado pelos esforços feitos para acabar com o conflito armado que deixou

mais de 220 mil mortos e milhões de desalojados, espera unir com o novo acordo a nação dividida, depois que o processo de paz ficou sob risco com a rejeição do acordo no plebiscito.

"Estamos convencidos de que... as mudanças, especificações e ajustes do novo acordo o fortalecem e respondem às inquietudes e sugestões feitas por diferentes setores da sociedade, preservando ao mesmo tempo as reformas e transformações contidas no acordo de 26 de setembro, que são a base de uma paz estável e duradoura", disseram em comunicado o governo e as Farc.

Santos não precisa convocar um novo plebiscito e pode ratificar o novo acordo no Congresso, mas corre o risco de enfrentar forças contrárias da oposição se esta não se declarar satisfeita com os ajustes e as mudanças.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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