Comentário de Trump sobre 'corrida armamentista' cria dúvidas sobre política nuclear

Por Melissa Fares

WEST PALM BEACH (Reuters) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, semeou mais dúvidas sobre a sua posição em relação à proliferação nuclear nesta sexta-feira, sendo supostamente receptivo a uma corrida armamentista, mesmo com o seu porta-voz insistindo que um aumento das armas atômicas provavelmente não ocorreria.

Trump, que assume o poder no dia 20 de janeiro, causou alarme na quinta-feira ao dizer pelo Twitter que os EUA “precisam fortalecer e expandir bastante a sua capacidade nuclear até o momento em que mundo caia em si em relação a armas nucleares”.

Nesta sexta-feira, ele teve uma conversa telefônica fora do ar sobre o tuíte com a apresentadora da TV MSNBC Mika Brzezinski, que disse que Trump lhe afirmou: “Que seja uma corrida armamentista. Nós vamos superá-los a cada ato e durar mais que todos eles.” A MSNBC não colocou os comentários no ar.

No entanto, Sean Spicer, porta-voz de Trump, disse numa rodada de entrevistas televisivas nesta sexta-feira que os comentários de Trump tinham o objetivo de enviar uma mensagem geral de força para países como Rússia e China, e não indicar que os EUA planejavam um aumento da sua capacidade nuclear.

"Ele vai fazer o que for preciso para proteger este país, e se outro país ou outros países quiserem ameaçar a nossa segurança e soberania ele vai fazer o que for preciso”, disse Spicer à CNN.

"Se um outro país aumentar a sua (capacidade nuclear), os EUA vão agir da mesma maneira. Mas eu realmente acredito que isso não vai ocorrer porque eu acho que o que eles têm visto, internamente e internacionalmente, é que este é um homem de ação”, declarou Spicer.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, na sua entrevista anual à imprensa em Moscou nesta sexta, disse que não viu nada novo ou marcante sobre o tuíte de Trump na quinta-feira e deixou claro que ele não via os EUA como um potencial agressor.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse nesta sexta que a Rússia não havia nunca iniciado uma corrida armamentista e nunca irá, segundo a agência de notícias RIA.

Numa aparente tentativa de acalmar tensões relacionadas a seus comentários, Trump disse em comunicado nesta sexta-feira que ele havia recebido “uma carta muito boa” de Putin neste mês defendendo relações mais fortes entre os dois países.

Uma corrida armamentista nuclear vai completamente contra a décadas de ortodoxia republicana, que tem defendido cortes nas armas nucleares dos EUA desde o governo de Ronald Regan.

O tuíte de Trump levou analistas a questionarem se Trump estava ameaçando revogar um tratado de 2011 que limita o emprego de ogivas, ou se começaria a empregar outras ogivas.

Os EUA são um dos cinco países com armas nucleares que têm permissão para manter um arsenal nuclear, segundo o tratado de não proliferação. Os outros são Rússia, Reino Unido, França e China.

Os EUA estão no meio de uma modernização de 1 trilhão de dólares, por um período de 30 anos, dos seus envelhecidos submarinos com mísses balísticos, aviões de bombardeio e mísseis de lançamento terrestre, um preço que muitos especialistas dizem que o país não pode pagar.

A Rússia também está realizando um programa de modernização, mas não está expandindo o seu estoque de ogivas.

Twitter é o método preferido de comunicação de Trump, mas o limite de 140 caracteres não funciona bem para falar de temas geopolíticos complexos e cheios de riscos como proliferação nuclear, dizem analistas.

"Ele deve ter líderes mundiais tentando adivinhar o que ele quer dizer”, disse Daryl Kimball, diretor-executivo da Associação de Controle de Armas.

(Reportagem adicional de Jonathan Landay, Susan Heavey, Eric Walsh e Dan Burns)

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