Chanceler José Serra pede demissão por problemas de saúde

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, José Serra, uma das principais lideranças do PSDB, pediu demissão do cargo nesta quarta-feira, alegando problemas de saúde.

Em carta ao presidente Michel Temer, divulgada pelo Palácio do Planalto, Serra afirma que esses problemas o "impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de chanceler".

Serra disse que, segundo os médicos, o tempo para seu restabelecimento adequado é de pelo menos quatro meses, sem detalhar qual o problema de saúde.

"Para mim foi motivo de orgulho integrar sua equipe. No Congresso, honrarei meu mandato de senador trabalhando pela aprovação de projetos que visem à recuperação da economia, ao desenvolvimento social e à consolidação democrática do Brasil", afirmou na carta.

Nome sempre citado entre os possíveis candidatos presidenciais do próximo ano, Serra foi o primeiro cacique tucano a defender a necessidade de o PSDB apoiar um então eventual governo Temer.

Quando o peemedebista passou a ocupar interinamente a Presidência da República, devido ao afastamento de Dilma Rousseff, em maio do ano passado, Serra assumiu o Itamaraty.

Prefeito de São Paulo e governador do Estado de São Paulo, Serra tentou a Presidência em 2002, quando perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva, e em 2010, sendo derrotado por Dilma, ambos do PT. Quatro anos depois foi eleito senador.

Com um longa carreira política, iniciada ainda jovem quando presidiu a União Nacional dos Estudantes (UNE), foi para o exílio depois do golpe de Estado de 1964, vivendo na França, Chile e Estados Unidos.

Mestre e doutor em economia, Serra foi deputado federal e ministro do Planejamento e da Saúde no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo uma fonte do governo, Serra planejava indicar o atual embaixador em Washington, Sérgio Amaral, para assumir seu lugar. Também estariam no páreo o atual secretário-geral do Itamaraty, Marcos Galvão, e Rubens Barbosa, que já tinha sido cogitado no início do governo.

(Texto de Alexandre Caverni; Edição de Raquel Stenzel)

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