Às vésperas do Oscar, Hollywood ainda tem dificuldades com raça

Por Piya Sinha-Roy

LOS ANGELES (Reuters) - No percurso para o Oscar deste ano, Dev Patel buscou suas raízes indianas, Denzel Washington foi um irritado patriarca afroamericano lutando contra o racismo, e Octavia Spencer se tornou uma matemática negra de ponta.

Com sete indicações para atores e atrizes de minorias étnicas, o Oscar deste ano tem sido promovido como um avanço em relação à diversidade depois de dois anos de críticas #OscarSoWhite (#OscarTãoBranco, em tradução literal).

Mesmo assim, críticos dizem que o teste verdadeiro será quando a indústria cinematográfica, como a TV, escalar mais atores de minorias étnicas em papéis que não são definidos pela raça.

"Pode ficar possivelmente difícil para atores (de outras etnias) interpretar personagens cuja principal linha é sobre raça, e não apenas ser uma pessoa passando por um divórcio ou uma situação semelhante”, disse Victoria Thomas, responsável pelo elenco de “Estrelas Além do Tempo”, obra indicada ao Oscar de melhor filme.

"Esse é o próximo obstáculo para ser ultrapassado”, acrescentou.

Alguns dos indicados para o Oscar deste ano já tiveram sucesso em papéis em que raça não era determinante.

Washington foi indicado ao Oscar por interpretar um piloto de avião alcoólatra em “O Voo”, de 2012. Naomie Harris, atriz coadjuvante de “Moonlight”, foi escalada como Miss Moneypenny em filmes de James Bond. Viola Davis, estrela de “Um Limite entre Nós”, ganhou um Emmy pelo papel de uma advogada na série de TV "How to Get Away with Murder".

Mesmo assim, nos 89 anos de história do Oscar, quase todos os atores negros que ganharam o prêmio foram agraciados por interpretarem personagens negros.

A lista deste ano não é uma exceção, embora filmes como “Moonlight” e “Um Limite entre Nós” contem histórias de negros sem tratar de temas como escravidão e direitos civis, assuntos que no passado atraíam maior atenção na premiação.

Denzel Washington e Viola Davis estrelam “Um Limite entre Nós”, adaptação de obra do escritor afroamericano August Wilson. Em “Moonlight”, Mahershala Ali interpreta um traficante de Miami, e Naomie Harris interpreta uma mãe viciada em drogas.

"Moonlight", a história de um menino negro com dificuldades sobre a sua sexualidade, traz um personagem que “no passado nunca teríamos visto, e, certamente, não seria indicado a Oscars”, disse Darnell Hunt, autor do relatório anual da Universidade da Califórnia sobre Hollywood e diversidade.

"Às vezes, nós (a comunidade negra) queremos as nossas narrativas e as nossas experiências contadas, e é isso que temos em “Moonlight” e “Um Limite entre Nós”, afirmou Hunt.

"Claro, o ideal seria ter as duas coisas ao mesmo tempo, com um “La La Land” com um ator negro protagonista.”

Indicado a melhor filme, "La La Land" tem um elenco na sua maior parte branco, apesar de ser ambientado na diversa Los Angeles.

Ironicamente, animais fofos animados são as estrelas da história de maior diversidade na corrida para o Oscar de domingo.

"Zootopia”, da Disney, indicado para melhor animação, trata da primeira coelha policial feminina numa metrópole e tem sido elogiado por tratar de maneira sutil divisões de raça e gênero.

Os diretores Byron Howard e Rich Moore disseram que o filme não funcionaria se não fosse animação porque os personagens se tornariam definidos pelos atores os interpretando.

"Para pessoas de diferentes gêneros, preferências sexuais e raças, há algo realmente seguro numa história como essa, em que animais bonitinhos a tornam tão inclusiva para uma quantidade ampla de pessoas”, afirmou Moore.

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