Contrário a ataque à Coreia do Norte, Putin diz não haver certeza sobre armas

Jack Stubbs, Katya Golubkova, Vladimir Soldatkin, Dasha Korsunskaya e Olesya Astakhova

Em Moscou

  • Foto: AFP

    "Quem sabe o que eles têm lá e onde? Ninguém sabe com 100% de certeza, já que é um país fechado", disse Putin

    "Quem sabe o que eles têm lá e onde? Ninguém sabe com 100% de certeza, já que é um país fechado", disse Putin

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira que um ataque militar contra a Coreia do Norte projetado para destruir seus programas nuclear e de mísseis pode não ter sucesso porque Pyongyang pode ter instalações militares ocultas que ninguém conhece.

Moscou se opõe fortemente à ideia de tal ataque --ideia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem levantado--, preferindo uma mistura de diplomacia e incentivos econômicos.

Mas Putin, discursando em um fórum de energia na capital russa, discorreu sobre o tema nesta quarta-feira, deixando claro que tem dúvidas sérias sobre a eficiência militar de tal ação, além de outras preocupações políticas e morais.

"Será possível um ataque global contra a Coreia do Norte para desarmá-la? Sim. Atingirá seu objetivo? Não sabemos. Quem sabe o que eles têm lá e onde? Ninguém sabe com 100% de certeza, já que é um país fechado."

Reprodução/KCNA
Em agosto, Coreia do Norte já tinha lançado um míssil que sobrevoou o Japão

Rússia tem razões para se preocupar

Putin e a Rússia têm mais razões que a maioria para estarem preocupados com o programa de mísseis de Pyongyang, dizendo que o local de testes nucleares norte-coreanos está a meros 200 quilômetros da fronteira russa.

O líder russo também reiterou seu pedido para que todas as opções diplomáticas sejam usadas e para que todos os lados contenham a retórica beligerante. Ele disse ainda pensar que Trump está ouvindo as opiniões da Rússia sobre a crise.

Mais sanções são uma estrada a lugar nenhum, afirmou Putin ao fórum, dizendo que hoje cerca de 40 mil cidadãos norte-coreanos trabalham na Rússia.

Sabe-se que estes trabalhadores enviam parte de seus salários com frequência às autoridades da Coreia do Norte.

 

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