Chanceler britânico pede que Rússia pare de interferir em eleições estrangeiras durante visita

Por Andrew Osborn e Vladimir Soldatkin

MOSCOU (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido,Boris Johnson, disse ao seu homólogo russo nesta sexta-feira que existem "indícios abundantes" de interferência de Moscou em eleições estrangeiras, mas que quaisquer esforços da Rússia para afetar o referendo sobre a separação britânica da União Europeia realizado no ano passado fracassaram.

Na primeira visita de um chanceler britânico à Rússia em cinco anos, Johnson disse querer normalizar as relações bilaterais, que estão passando por "um momento muito difícil".

Mas isso não significa fingir que o Reino Unido não tem sérias preocupações com o comportamento russo, afirmou.

"... Não podemos fingir que eles (os problemas) não existem, e que compartilhamos uma perspectiva comum sobre os eventos na Ucrânia, ou nos Bálcãs Ocidentais, ou... as atividades russas no ciberespaço."

Ele também disse que seu país tem o dever de se pronunciar em nome da comunidade LGBT da Chechênia – em junho, dois chechenos disseram à Reuters que foram torturados por serem gays, mas autoridades chechenas negam as alegações.

A visita de Johnson ocorre em um momento no qual as relações entre Londres e Moscou estão tensionadas pelas diferenças sobre a Ucrânia e a Síria, além das alegações, que a Rússia nega com veemência, de que Moscou interferiu na política de vários países europeus apoiando ataques cibernéticos e campanhas de desinformação.

Mas o chanceler russo, Sergei Lavrov, questionou essa narrativa, argumentando que o próprio Johnson disse recentemente que não tem provas de que Moscou se intrometeu no referendo britânico do ano passado.

"Não com sucesso, não com sucesso, acho que é a palavra", reagiu Johnson, firme defensor da desfiliação da UE, ao que Lavrov replicou: "Ele teme que, se não discordar de mim, sua reputação ficará arruinada em casa."

Johnson, que alegou haver indícios abundantes de interferência russa nas eleições da Alemanha, dos Estados Unidos e de outros países, disse que é com a reputação de Lavrov que ele se preocupa.

"Acho que é muito importante... reconhecer que as tentativas russas de interferir em nossas eleições ou em nosso referendo, quaisquer que tenham sido, não tiveram sucesso", disse Johnson.

Lavrov disse culpar o Reino Unido pelo estado ruim do relacionamento, queixando-se de "comentários insultantes e agressivos" de Londres e de os britânicos exporem suas diferenças com Moscou em público, e não em particular.

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