Chefe da Oxfam pede desculpas por comentário sobre "bebês no berço" após escândalo sexual

LONDRES (Reuters) - O diretor-executivo da Oxfam, Mark Goldring, pediu desculpas nesta terça-feira por dizer que uma avalanche de críticas à instituição de caridade devido a um escândalo de abusos sexuais envolvendo funcionários era desproporcional, já que a entidade não "assassinou bebês no berço".

Ele foi questionado por parlamentares britânicos a respeito da exploração sexual no setor humanitário por causa do escândalo sobre o suposto uso de prostitutas no Haiti em 2011, na esteira de um terremoto devastador na ilha.

Stephen Twigg, político do opositor Partido Trabalhista e presidente do Comitê de Desenvolvimento Internacional, disse que os comentários feitos por Goldring em uma entrevista a um jornal foram considerados por muitas pessoas como "grosseiramente inadequados".

Segundo a edição de sábado do Guardian, o chefe da Oxfam disse: "A intensidade e a ferocidade dos ataques fazem você se perguntar 'o que fizemos? Assassinamos bebês no berço?'"

Ele acrescentou: "Certamente a escala e a intensidade dos ataques parecem desproporcionais ao nível de culpabilidade".

Mas Goldring se desculpou nesta terça-feira, dizendo que estava sob estresse por ter dado muitas entrevistas e por pensar no bom trabalho que a Oxfam continua fazendo em todo o mundo.

"Eu não deveria ter dito aquilo. Não cabe à Oxfam julgar questões de proporcionalidade ou motivação", disse ele ao comitê parlamentar. "Peço desculpas de todo o coração por aqueles comentários, e me comprometo a trabalhar em nome do interesse público maior".

Na segunda-feira, a entidade divulgou os resultados de uma investigação interna que revelou que o diretor da entidade no Haiti, Roland Van Hauwermeiren, admitiu ter recebido prostitutas em sua residência durante uma missão de auxílio antes de renunciar em 2011.

As alegações de má conduta sexual abalaram o setor humanitário, e o presidente haitiano pediu investigações de outros grupos de ajuda que atuam no país.

O Reino Unido e a União Europeia estão estudando o financiamento à Oxfam, uma das maiores instituições de auxílio para desastres do mundo.

Na semana passada, Van Hauwermeiren disse se sentir envergonhado, mas acrescentou que algumas das alegações feitas em uma reportagem do jornal Times, o primeiro a noticiar o caso, são falsas, e negou ter pago para fazer sexo com prostitutas. A prostituição é crime no Haiti.

Twigg disse que o Comitê de Desenvolvimento Internacional conduzirá um inquérito completo sobre a questão da exploração sexual no setor humanitário.

(Por Alistair Smout)

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