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Temer diz que fechar fronteira com a Venezuela "é incogitável"

Divulgação/Presidência
O presidente Michel Temer embarcou nesta sexta-feira (13) para o Peru, onde participa da VIII Cúpula das Américas Imagem: Divulgação/Presidência

Lisandra Paraguassu

Lima (Peru)

13/04/2018 18h44

O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira (13) que o fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela, como pediu o Estado de Roraima, é algo "incogitável".

"Isso não é hábito do Brasil, não fechar fronteiras e nem espero que o STF venha a decidir dessa forma. Fechar fronteiras é incogitável", disse Temer a jornalistas em Lima, onde participa da Cúpula das Américas.

Segundo o presidente, muitas das medidas pleiteadas por Roraima ao governo federal "já estão sendo tomadas", incluindo liberação de recursos e "pessoas que vão para lá para dar assistência".

Mais cedo, o governo de Roraima entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em que cobra do governo federal o fechamento temporário da fronteira com a Venezuela a fim de impedir que o "fluxo imigratório desordenado produza efeitos mais devastadores aos brasileiros" e aos estrangeiros que residem naquele Estado.

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Na ação no STF, Roraima pede ainda a viabilização de recursos adicionais para o Estado lidar com a atual demanda de serviços públicos, inflada pelo grande número de imigrantes venezuelanos, ou a limitação da quantidade de refugiados a um número compatível com a capacidade operacional do país.

Para a governadora Suely Campos (PP), a atitude é um último "suspiro" de Roraima nas negociações com o governo federal. Segundo ela, sete projetos, que significariam cerca de R$ 100 milhões em recursos para o Estado, já foram protocolados em diversos ministérios, como o da Defesa e o da Segurança Pública e para ela não há nenhuma ação sendo tomada celeremente.

    "O Estado está já impactado, ele está sobrecarregado. Como é que o menor Estado da Federação, nós temos 520 mil habitantes, de repente nós temos um acréscimo de 10% da nossa população", disse, em entrevista coletiva nesta sexta-feira, em Brasília.

    Para ela, falta na fronteira um controle maior sobre quem entra no país por parte do governo federal. "Exigir o cartão de vacinação, exigir antecedentes criminais, documentação, inspeção de veículos, de pessoas, temos que ter uma medida de conter esse fluxo."

    Roraima vive uma grave crise migratória e humanitária, com a entrada diária de 500 a 700 venezuelanos, segundo a governadora, que saem de seu país, que vive profunda crise. Em fevereiro, o governo federal editou uma medida provisória para declarar situação de emergência social em Roraima por conta da situação dos refugiados venezuelanos. À época, o objetivo era aumentar recursos e efetivos das forças civis e militares para controlar e entrada de novos imigrantes.