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Tribunal coreano revolta Japão ao determinar indenização de empresa a operários da Segunda Guerra

Das pessoas que moveram o processo, Lee Choon-shik (centro) é o único ainda vivo - Kim Hong-Ji/Reuters
Das pessoas que moveram o processo, Lee Choon-shik (centro) é o único ainda vivo Imagem: Kim Hong-Ji/Reuters

Hyonhee Shin e Kiyoshi Takenaka

Em Seul e Tóquio

30/10/2018 09h05

O principal tribunal da Coreia do Sul decidiu nesta terça-feira (30) que a japonesa Nippon Steel & Sumitomo Metal Corp precisa indenizar quatro sul-coreanos por seu trabalho forçado durante a Segunda Guerra Mundial, um veredicto que o Japão disse ser "impensável", mas expressando a esperança de que a cooperação com o vizinho para reduzir as tensões com a Coreia do Norte não seja afetada.

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A Suprema Corte sul-coreana tomou uma decisão histórica ao confirmar uma ordem de 2013 para que a empresa pague o equivalente a 87.700 dólares a cada um dos quatro operários da siderúrgica, que iniciaram a ação em 2005 em busca de indenizações e salários nunca pagos.

A corte determinou que o direito dos ex-operários à indenização não foi anulado por um tratado de 1965 que normalizou os laços diplomáticos, rejeitando a posição adotada pelo governo e pelos tribunais do Japão, informou a agência de notícias Yonhap.

Lee Choon-shik, de 94 anos, o único sobrevivente entre os demandantes, saudou a decisão, dizendo em uma coletiva de imprensa televisionada que lhe "partiu o coração vê-la hoje, sendo o único ainda vivo".

O Japão e a Coreia do Sul compartilham uma história amarga, que inclui a colonização japonesa da península coreana entre 1910 e 1945 e o uso de "mulheres de consolo", um eufemismo japonês para meninas e mulheres, muitas delas coreanas, obrigadas a trabalhar em seus prostíbulos nos tempos da guerra.

O veredicto provocou uma reação rápida e raivosa de Tóquio.

Discursando no Parlamento, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que a questão foi "completa e finalmente" decidida pelo tratado de 1965. "Este veredicto é uma decisão impossível à luz da lei internacional", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores, Taro Kono, que convocou o embaixador sul-coreano, Lee Su-hoon, após a decisão, disse que ela "subverteu fundamentalmente a base legal de uma amizade bilateral desde a normalização dos laços em 1965".

Mas Kono disse aos repórteres que espera que Seul faça o necessário para evitar que a questão afete a cooperação dos dois aliados asiáticos dos Estados Unidos para tentar conter o programa nuclear da Coreia do Norte.

A Nippon Steel disse que o veredicto é "profundamente lamentável" e que o analisará antes de adotar qualquer medida.

(Por Hyonhee Shin, em Seul; Kiyoshi Takenaka e Elaine Lies, em Tóquio; Reportagem adicional de Jeongmin Kim e Jane Chung, em Seul; e Linda Sieg, Yuka Obayashi e Kiyoshi Takenaka, em Tóquio)