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Memorando de indicado de Trump para Justiça causa alarme sobre futuro de investigação da Rússia

20/12/2018 21h01

Por David Shepardson e Lisa Lambert

WASHINGTON (Reuters) - Senadores democratas dos Estados Unidos afirmaram que o secretário de Justiça indicado pelo presidente Donald Trump, William Barr, pode prejudicar os trabalhos da comissão especial que investiga a possível interferência da Rússia nas eleições norte-americanas.

Os parlamentares de oposição também se preocupam com relatos de que o secretário de Justiça em exercício, Matt Whitaker, não precisará se declarar suspeito para supervisionar a investigação, apesar de ter criticado o inquérito diversas vezes.

Quem quer que ocupe o cargo será responsável por supervisionar o inquérito conduzido pelo procurador especial Robert Mueller, que investiga se a Rússia interferiu na eleição presidencial de 2016.

A investigação já alcançou o coordenador de campanha de Trump, seu antigo advogado pessoal e seu ex-assessor para questões de segurança nacional. Trump, que tem negado qualquer crime, chamou o inquérito de “caça às bruxas”, aumentando os temores de que possa interrompê-lo.

A Rússia nega qualquer interferência.

Chuck Schumer, líder democrata no Senado, disse nesta quinta-feira que o secretário de Justiça indicado, William Barr, não é qualificado para o cargo devido a um memorando recente no qual ele descarta qualquer possibilidade de que Mueller investigue uma possível obstrução das investigações por parte de Trump.

“O presidente deve reconsiderar imediatamente e encontrar outro indicado que esteja livre de conflitos e que conduzirá as funções do cargo com imparcialidade”, disse Schumer.

Trump anunciou neste mês que indicaria Barr, que foi secretário de Justiça dos EUA no governo de George H. Bush, para retornar ao cargo.

De acordo com reportagens recentes, Barr encaminhou o memorando à Casa Branca e a autoridades do Departamento de Justiça antes de seu nome ser indicado ao cargo. O recado chegou às mãos de parlamentares na quarta à noite.

“Precisamos de respostas sobre por que William Barr pro-ativamente redigiu o memorando contrário à investigação do procurador especial Mueller”, escreveu no Twitter a senadora Dianne Feinstein, principal integrante democrata do Comitê de Justiça. “Não há razão para que um advogado privado faça isso, a menos que estivesse tentando cair nas graças do presidente Trump.”

O vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, o democrata Mark Warner, sugeriu, no Twitter, ser necessário um projeto de lei para proteger as investigações de interferências políticas. Ele afirmou que a legislação se tornou extremamente necessária após relatos de que servidores do Departamento de Justiça informaram a Whitaker que ele não precisaria se declarar suspeito para supervisionar as investigações.