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Morales diz que não participaria de eleições e questiona: "Por que tanto medo do Evo?"

15.nov.2019 - O ex-presidente da Bolívia Evo Morales em entrevista à Reuters na Cidade do México - Por Diego Oré e Frank Jack Daniel
15.nov.2019 - O ex-presidente da Bolívia Evo Morales em entrevista à Reuters na Cidade do México Imagem: Por Diego Oré e Frank Jack Daniel

Diego Oré e Frank Jack Daniel

Da Cidade do México

15/11/2019 15h53

Por Diego Oré e Frank Jack Daniel

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O ex-presidente da Bolívia Evo Morales disse nesta sexta-feira que está disposto a não participar de novas eleições após o governo de transição iniciar um diálogo com a oposição para tentar tirar o país andino de uma crise política.

Embora as novas eleições presidenciais ainda não estejam com data marcada, a presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, afirmou que Morales não poderia participar, pois ele foi acusado de fraude nas eleições de 20 de outubro, cujos resultados desencadearam uma grave crise no país.

Se Morales voltar ao país, ele deve enfrentar a Justiça, garantiu a presidente interina, que também disse que as eleições devem ocorrer antes de 22 de janeiro.

"Pela democracia, se eles não querem que eu participe, não tenho nenhum problema em não participar das novas eleições. Só me pergunto por que tanto medo do Evo", afirmou em entrevista à Reuters na Cidade do México, onde está asilado depois de renunciar no domingo passado.

Morales, que denunciou ter deixado o cargo por causa de um golpe de Estado, disse que se a Assembleia aprovar sua renúncia da Presidência, ele poderá retornar à Bolívia como cidadão comum ou militante.

O ex-presidente afirmou que não sabe quem poderia ser o candidato da esquerda se ele não participar das eleições.

"Todos saem do povo, não da cúpula", disse ele, referindo-se aos candidatos de seu movimento.

A crise na Bolívia foi desencadeada após denúncias de irregularidades nas eleições de outubro - nas quais o líder indígena proclamou vitória - que levaram à renúncia de Morales, em meio a pressões militares e fortes protestos.

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