Hospitais sobrecarregados de Gaza recebem nova onda de feridos

Por Arafat Barbakh e Mohammed Salem

KHAN YOUNIS, Gaza (Reuters) - No Hospital Nasser, no sul de Gaza, um homem segurando um menino com o couro cabeludo ensanguentado gritava por ajuda.

Outro menino com um corte na bochecha e lágrimas nos olhos estava deitado sob um cobertor. Um terceiro, com o rosto coberto de sangue, esperava por tratamento.

Poucas horas após o fim da trégua de uma semana entre Israel e o grupo palestino Hamas, que governa Gaza, o Ministério da Saúde do enclave informou que 54 pessoas já haviam sido mortas em ataques aéreos israelenses.

Imagens da Reuters do Hospital Nasser, o segundo maior da Faixa de Gaza, mostraram um fluxo constante de feridos sendo trazidos, enquanto outras pessoas choravam do lado de fora, ao lado de corpos de entes queridos mortos em ataques.

Grupos de ajuda humanitária e as Nações Unidas afirmam que uma pequena fração das instalações de saúde no enclave devastado ainda está funcionando, e essas não estão em condições de lidar com uma nova onda de vítimas.

"Os hospitais de toda a Faixa de Gaza carecem de suprimentos básicos, pessoal e combustível para oferecer cuidados primários de saúde na escala necessária, muito menos para tratar com segurança casos urgentes", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na quinta-feira.

Gaza tinha 2,3 milhões de habitantes antes de Israel iniciar um bombardeio e uma invasão terrestre em resposta ao ataque de 7 de outubro do Hamas, quando, segundo Israel, homens armados mataram 1.200 pessoas e fizeram 240 reféns.

Autoridades de saúde palestinas, que a ONU considera confiáveis, afirmam que mais de 15.000 habitantes de Gaza foram confirmados como mortos e milhares de outros estão desaparecidos e teme-se que estejam enterrados sob escombros. A ONU diz que até 80% da população pode ter sido desalojada de suas casas.

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"O sistema de saúde de Gaza foi prejudicado pelas hostilidades em andamento", disse o médico Richard Peeperkorn, representante da Organização Mundial da Saúde em Gaza.

"O país não pode se dar ao luxo de perder mais hospitais ou leitos hospitalares", afirmou ele aos repórteres por meio de um link de vídeo. "Estamos extremamente preocupados com a retomada da violência."

Rob Holden, autoridade sênior de emergência da OMS, disse no mesmo briefing que havia visitado o Hospital Al Ahli na Cidade de Gaza na manhã de sexta-feira.

"A única maneira de descrever a situação é como um filme de terror quando você entra lá", declarou ele, acrescentando que havia "pacientes no chão com os ferimentos mais traumáticos que você pode imaginar".

Autoridades humanitárias afirmam que o combustível é extremamente necessário para manter os hospitais funcionando, e a ONU descreveu as hostilidades como "catastróficas" na sexta-feira.

Depois que Israel retomou sua campanha militar na sexta-feira, a entrada de caminhões de ajuda e combustível para Gaza na passagem de Rafah, no Egito, foi interrompida. A quantidade de ajuda entregue havia aumentado durante a trégua, embora as autoridades de ajuda tenham dito que ainda era muito menor do que o necessário.

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(Reportagem de Arafat Barbakh e Mohammed Salem; reportagem adicional de Gabrielle Tetrault-Farber em Genebra)

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