Após ataque em Gaza, homens sofrem para retirar corpo de criança dos escombros

Por Fadi Shana e Mohammed Salem

RAFAH, Gaza (Reuters) - As pernas e os pés descalços de uma criança morta saíram debaixo de camadas de concreto nas ruínas de um quarteirão atingido por um ataque aéreo israelense, e três homens tentavam soltar a metade superior do corpo puxando pedaços de detritos com as próprias mãos.

Em um determinado momento, depois de remover um pedaço grande, um dos homens pegou as pernas da criança, que estava vestida com calças pretas, e gentilmente tentou recuperar o corpo, mas ele ainda estava preso e as pernas caíram.

A cena ocorreu na madrugada de segunda-feira em Rafah, depois que um ataque na noite anterior destruiu um bloco residencial e deixou uma cratera tão profunda quanto um prédio de vários andares.

A criança morta acabou sendo libertada e enrolada em um pano preto. Um homem abraçou o corpo em seu peito, com o desespero estampado em seu rosto, e o carregou para longe das ruínas, cercado por outros homens, alguns dos quais colocaram as mãos em seus ombros.

Outro pequeno corpo também estava sendo carregado, embrulhado em um cobertor colorido.

Moradores locais disseram à Reuters que mais de uma dúzia de pessoas foram mortas no ataque, incluindo várias crianças. Vários dos mortos ainda estavam enterrados nos escombros.

Rafah está localizada no extremo sul da Faixa de Gaza, perto da fronteira com o Egito. Israel tem pedido aos civis que se desloquem para o sul de outras partes da faixa para evitar serem apanhados em combates pesados, mas os sobreviventes em Rafah disseram que nenhum lugar é seguro.

A guerra começou em 7 de outubro, quando militantes do Hamas, o grupo que governa a Faixa de Gaza, invadiram o sul de Israel, matando 1.200 pessoas, incluindo bebês e crianças pequenas, e fazendo 240 reféns de todas as idades, de acordo com dados israelenses.

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Jurando destruir o Hamas em resposta, Israel respondeu com um ataque militar ao enclave palestino densamente povoado que já matou mais de 15.000 pessoas, a maioria delas mulheres e crianças, segundo autoridades de saúde em Gaza.

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