Premiê britânico diz a partido dividido que seu plano de migração é único caminho

Por Andrew MacAskill e Kate Holton e Alistair Smout

LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, fez um apelo aos parlamentares de seu Partido Conservador nesta quinta-feira para que se unam em torno de seu plano de enviar solicitantes de asilo para Ruanda, após uma revolta que, mais uma vez, expôs profundas divisões na legenda.

Sunak está enfrentando o maior obstáculo de seu mandato de um ano, à medida que tenta impedir que os parlamentares da ala mais à direita do partido se rebelem por conta da exigência deles de que o Reino Unido abandone tratados internacionais para definir sua própria política de migração.

O ministro da Imigração pediu demissão na quarta-feira e ele está enfrentando dúvidas sobre a possibilidade de conseguir que a política seja votada no Parlamento. Alguns parlamentares conservadores disseram nesta quinta-feira que Sunak poderia enfrentar um desafio de liderança com o partido muito atrás nas pesquisas de opinião antes de uma eleição prevista para o próximo ano.

Em uma coletiva de imprensa em Downing Street, Sunak disse que a legislação satisfaz quase todas as críticas de seus pares, mas que se o governo for mais longe no desrespeito à lei de direitos humanos, Ruanda abandonará o acordo.

"É a única abordagem, porque se formos mais longe, a diferença é de um centímetro, mas se formos mais longe, Ruanda vai acabar com o esquema e não teremos para onde enviar ninguém", disse ele.

"O que todos devem fazer é apoiar esse projeto de lei."

Embora Sunak tenha dito que o projeto de lei deve encerrar as disputas legais sobre a política, os especialistas disseram que é provável que ele enfrente outros desafios judiciais, lançando dúvidas sobre seu objetivo de iniciar os voos no próximo ano, dois anos após a política ter sido anunciada pela primeira vez.

O projeto de lei surge três semanas depois que a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que Ruanda não é um local seguro para enviar os migrantes que chegam em pequenos barcos à costa sul da Inglaterra e que o plano viola as leis britânicas e internacionais.

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O plano de Ruanda está no centro da estratégia do governo para impedir a migração ilegal. A decisão do tribunal representou um grande revés para Sunak, que está lutando para reanimar uma economia fraca e está muito atrás do principal partido de oposição, o Partido Trabalhista, nas pesquisas de opinião.

Sunak agora tentará fazer com que a legislação seja aprovada pelo Parlamento, mas disse que não fará disso um voto de confiança em seu governo em uma tentativa de reforçar o apoio do partido. A derrota em um voto de confiança pode desencadear uma eleição nacional.

O projeto de lei foi apresentado à Câmara dos Comuns nesta quinta-feira, com a primeira votação sobre a legislação prevista para 12 de dezembro.

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