Alemanha passa a adotar postura um pouco mais crítica em relação ao aliado Israel

Por Sarah Marsh

BERLIM (Reuters) - A Alemanha espera que Israel adapte sua estratégia militar para melhor evitar o sofrimento entre os civis palestinos, disse a ministra das Relações Exteriores alemã, Annalena Baerbock, nesta segunda-feira, marcando uma leve mudança em Berlim em direção a uma postura mais crítica em relação ao seu aliado.

A Alemanha tem defendido firmemente o direito de Israel de se defender desde os ataques do Hamas em 7 de outubro, ressaltando seu dever de estar ao lado do país em expiação pela perpetração do Holocausto, no qual seis milhões de judeus morreram.

O governo tem enfrentado acusações -- inclusive de proeminentes residentes judeus na Alemanha -- de permitir que a culpa influencie sua resposta à retaliação de Israel, que causou uma crise humanitária em Gaza.

Autoridades do governo alemão têm enfatizado cada vez mais a necessidade de Israel aderir à lei internacional em sua resposta aos ataques do Hamas, mas, na maioria das vezes, têm evitado críticas diretas às suas ações nos territórios palestinos.

Isso mudou nos últimos dias, com a ministra das Relações Exteriores, Baerbock, tipicamente mais franca, liderando o movimento.

"Esperamos que Israel... permita mais ajuda humanitária, especialmente no norte, para garantir que suas ações militares sejam mais direcionadas e causem menos vítimas civis", disse a ministra em uma coletiva de imprensa em Dubai, nos bastidores da cúpula climática da Organização das Nações Unidas.

A maioria dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza foi deslocada de suas casas e os moradores dizem que é impossível encontrar refúgio no enclave densamente povoado, com cerca de 18.000 pessoas já mortas e a intensificação do conflito.

"A questão de como Israel conduzirá essa batalha é fundamental para a perspectiva de uma solução política", acrescentou Baerbock.

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O chanceler alemão, Olaf Scholz, que acendeu a primeira vela na menorá gigante de Berlim para o feriado judaico de Hanukkah na semana passada, em solidariedade ao povo judeu, tem sido menos franco em suas críticas.

Ainda assim, Scholz tem solicitado cada vez mais que Israel permita a entrada de mais ajuda humanitária em Gaza e denunciado a violência dos colonos judeus na Cisjordânia, inclusive em uma ligação telefônica no sábado com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores disse que saudava a imposição de sanções pelos EUA a vários colonos israelenses por causa de ataques a palestinos na Cisjordânia ocupada e pediu que a UE considerasse sanções semelhantes.

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