Franceses voltam a protestar contra reformas de Macron

Mais de 60 partidos de esquerda, associações e sindicatos foram às ruas, neste sábado (26), em várias cidades da França, na tentativa de reunir uma "maré popular" para se opor à política do presidente Emmanuel Macron, há um ano no poder.

Os organizadores esperavam reunir dezenas de milhares de pessoas em Paris e em outras cidades para expressar a insatisfação com as reformas do governo francês em diversos setores. Segundo o sindicato CGT, Confederação Geral do Trabalho, pelo menos 250 mil pessoas teriam ido às ruas, 80 mil somente em Paris. Já a Polícia divulgou um número bem menor, 21 mil.

A participação de hoje pode ser considerada modesta se comparada com o primeiro grande ato contra Macron, no começo de maio, quando pelo menos 100 mil se manifestaram em Paris, conforme os organizadores, e 40 mil, segundo os dados da Polícia.

A movimentação nas ruas parece não preocupar muito o presidente. Em viagem oficial à Rússia, Macron declarou nesta sexta-feira (25) que "isso não o deteria". ""Ouço as pessoas o tempo todo", mas "isso não significa que eu tenha que surfar na onda da opinião pública", declarou o presidente. "Assumo conduzir meu governo sem olhar para pesquisas ou manifestações, não quero seguir os passos de meus antecessores", avisou.

Presentes para os muito ricos

"Os mais ricos recebem presentes, são convidados para o Eliseu (Palácio presidencial), diretores-executivos de empresas deixam de pagar seus impostos e, em paralelo, congelam os salários dos funcionários e cobram dos aposentados o CSG (imposto para financiar parte da previdência social)", denunciou neste sábado Philippe Martinez, secretário-geral do sindicato CGT, que participou do movimento de protesto.

 "Vocês precisam formar uma frente popular para pressionar o governo", bradou Jean-Luc Mélenchon, principal opositor de Macron, em um discurso no Velho-Porto de Marselha. "Contem só em vocês, não haverá um salvador supremo", esbravejou. "Esse cabeça-dura, o senhor Emmanuel Macron, precisa entender a mensagem do povo", completou.

Outros dois grandes sindicatos nacionais, a CFDT (Confederação Francesa Democrática do Trabalho) e a FO (Força Operária), não fizeram parte dos protestos, alegando focalizar os esforços no campo sindical e não político. O Partido Socialista (PS) também não saiu às ruas. "Há um momento social que é necessário respeitar. E depois haverá um momento político", alegou o primeiro-secretário do PS, Olivier Faure. "Ao querer confundir muito os momentos (...) não se ajuda o movimento social, ele se enfraquece", completou.

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