Contrários ao limite de velocidade de 80 km/h, franceses picham radares em protesto
A revolta dos “Picassos” dos radares, como a imprensa francesa descreve os cidadãos comuns que se opõem ao limite de velocidade imposto pela lei francesa, mostra o descontentamento da população com a medida, que entrou em vigor em julho.
Eles querem viver a 100 km/h e e se recusam a pisar no freio. Desde que o governo francês decidiu multar os motoristas que ultrapassam os 80 km/h nas rodovias secundárias, um movimento começa a ganhar força no país. O de cidadãos comuns que, se recusando a pagar as multas e a respeitar a lei, decidiram “cegar” os radares. Um deles é Laurent*, ouvido pela rádio France Info, francês que vive no sul do país.
O empresário de 40 anos atualmente leva “uma vida dupla”, diz. No bagageiro do carro, ele tem um spray à disposição. De noite, no volante, quando vê um radar, Laurent desce do carro, fuma um cigarro, olha em volta para ver se não há ninguém por perto e picha o aparelho. “Nunca tinha feito esse tipo de coisa na vida e meu coração fica acelerado”, descreve. Desde julho, ele já coloriu 50 radares.
Ele não está só em seu manifesto. Radares automáticos foram pintados de rosa, de branco e de azul em outras regiões. Na Normandia, usuários chegaram a botar fogo no aparelho. A polícia rodoviária se recusa a divulgar uma estatística sobre o número de degradações, temendo alimentar o fenômeno.
Ideia de "burguês parisiense"
Os autores das pichações, se forem pegos, podem ter que pagar € 45 mil de multa. A polícia está investigando casos em toda a França. Laurent* explica sua revolta: “pode parecer idiota, mas isso é inaceitável. Não está adaptado à realidade do campo e das cidades pequenas. “A gente se sente infantilizado. O discurso do governo é completamente defasado. São elocubrações de um “bobo” parisiense (termo em francês que significa burguês e boêmio) que anda de bicicleta elétrica", resume.
Redes sociais
No Facebook, os artistas do asfalto publicam as obras de arte e sua lista de radares pintados. Na rede, internautas anônimos incitam outros motoristas a participarem do “movimento”, que tende a crescer.
Pesquisas mostram que 74% dos franceses são contrários ao limite de 80 km/h nas rodovias secundárias, onde antes a velocidade máxima permitida era de 90 km/h.
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