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Aliado de Bolsonaro enfrenta protestos na Hungria por lei escravagista

19.jan.2019 - Manifestantes carregam faixa onde se lê "Basta!" enquanto atravessam a ponte mais antiga de Budapeste, na Hungria, durante protesto contra a política de governo do premiê Viktor Orban para a reforma trabalhista - Ferenc Isza/AFP
19.jan.2019 - Manifestantes carregam faixa onde se lê "Basta!" enquanto atravessam a ponte mais antiga de Budapeste, na Hungria, durante protesto contra a política de governo do premiê Viktor Orban para a reforma trabalhista Imagem: Ferenc Isza/AFP

Florence La Bruyère

Correspondente da RFI em Budapeste

19/01/2019 10h44

O primeiro-ministro ultraconservador da Hungria, Viktor Orban, aliado do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL), enfrenta neste sábado (19) cerca de 160 manifestações de trabalhadores em todo o país contra uma nova lei trabalhista que deixa os húngaros indignados. Orban ampliou de 250 para 400 o número de horas extras anuais que podem ser exigidas pelas empresas. Mas elas têm até três anos de prazo para pagar os trabalhadores.

A mobilização foi convocada por três centrais sindicais, que representam 200 mil trabalhadores, e já é considerada a maior ação de protesto contra o premiê ultraconservador, há oito anos no poder. Os opositores se referem à nova legislação trabalhista como uma "lei para escravos", que já levou milhares de pessoas às ruas desde 8 de dezembro.

A novidade neste sábado é a ampla participação de trabalhadores do interior do país. Motoristas e caminhoneiros realizam operações tartaruga nas estradas. Em alguns povoados, que nem sequer possuem uma representação sindical, os habitantes dizem que vão às ruas para protestar. Uma grande manifestação também acontece em Budapeste, seguida de um show de música.

Os manifestantes exigem a revogação da lei que Orban defendeu como uma necessidade devido à escassez de mão de obra na Hungria. A taxa de desemprego é pequena no país, inferior a 4%. Os empresários encontram dificuldades nas contratações porque os salários baixos levaram 500 mil húngaros a emigrar nos últimos anos. Os húngaros preferem buscar empregos na Áustria, Alemanha e outros vizinhos europeus, onde os salários são duas a três vezes mais altos na mesma função.

Medidas escandalizam sindicatos

Além dos patrões húngaros terem conquistado três anos de prazo para pagar as horas extras, o cálculo da remuneração não é favorável aos assalariados. Se num determinado ano o trabalhador efetua dezenas de horas extras, mas no ano seguinte é colocado em regime de tempo parcial por falta de encomendas à indústria, o empregador tem o direito de calcular uma média do volume do trabalho realizado nos dois períodos e as horas extras desaparecem do cálculo. Esse artifício escandalizou os sindicatos.

Nas ruas, os húngaros reivindicam 10% de reajuste no salário mínimo, uma reforma do sistema previdenciário e mudanças na lei de greve, que foi praticamente censurada pelo governo Orban. O premiê rejeita todas as reivindicações e não tem a intenção de negociar com os sindicatos.

Direito de greve confiscado

O direito de greve também foi cerceado com a chegada de Orban ao poder. Ele criou uma medida de serviço mínimo de 66% no transporte público e proibiu as centrais sindicais de convocar uma greve. Apenas sindicatos locais podem organizar paralisações.

Apesar dessa camisa de força imposta aos trabalhadores, 4.000 trabalhadores da montadora alemã Audi cruzaram os braços por duas horas nesta sexta-feira (18). Os sindicatos do funcionalismo organizam uma greve geral para 14 de março.

Apesar de Viktor Orban ter sido eleito para um segundo mandato com um discurso populista contra a imigração, seu governo enfrenta graves suspeitas de corrupção e dificuldades crescentes na Europa.

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