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"Acqua Alta": Veneza enfrenta a maré mais elevada dos últimos 53 anos

13/11/2019 14h50

Veneza enfrenta nesta quarta-feira (13) a maré mais alta de sua história recente. O fenômeno da "Acqua Alta" provocou danos significativos e surpreendeu moradores e turistas.

Veneza enfrenta nesta quarta-feira (13) a maré mais alta de sua história recente. O fenômeno da "Acqua Alta" provocou danos significativos e surpreendeu moradores e turistas.

"Hoje estamos enfrentando marés recordes. Pedimos ao governo que nos ajude, os custos serão altos", tuitou pela manhã o prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro. Ele também anunciou que vai pedir a instauração de estado de catástrofe natural.

A maré, que alcançou a altura excepcional de 1,87 metro já na terça-feira (12), surpreendeu os turistas que percorriam as ruas inundadas nos arredores da Praça São Marcos. Esta é a segunda "Acqua alta" mais importante registrada em Veneza desde que os dados começaram a ser catalogados, em 1923. Em 4 de novembro de 1966, a água alcançou 1,94 metro.

O nível da maré caiu para 1,10 metro na manhã desta quarta, mas outros episódios são anunciados até sexta-feira (15). "A situação é desastrosa", afirmou o governador da região de Vêneto, Luca Zaia, que pediu cautela à população. Segundo a mídia local, o episódio causou a morte de duas pessoas.

A cidade já começou a avaliar os danos: a famosa Basílica de São Marcos, coberta por um metro de água, teve sua cripta e a reitoria completamente inundadas. Segundo o administrador do monumento, Pierpaolo Campostrini, um fenômeno como o de terça-feira ocorreu apenas cinco vezes na história da basílica, erguida em 828 e reconstruída após um incêndio em 1063. O fato mais preocupante é que, entre os cinco incidentes, três ocorreram apenas nos últimos 20 anos e o mais recente foi no ano passado.

Governo constrói diques flutuantes para conter a água

Veneza é regularmente afetada pelo fenômeno "Acqua Alta", picos de maré particularmente pronunciados que causam a submersão de uma parte da área urbana. As zonas mais baixas da cidade, incluindo a turística Praça de São Marcos, são frequentemente atingidas.

Para proteger a cidade da calamidade, o projeto MOSE (Moisés em italiano e sigla para Módulo Experimental Eletromecânico) está em construção desde 2003. Mas o aumento nos custos e os obstáculos encontrados causaram inúmeros atrasos na iniciativa. O projeto consiste na instalação de 78 diques flutuantes, que serão erguidos para cercar a cidade em caso de alta do Mar Adriático.

Veneza, que abriga em seu centro histórico apenas 50 mil moradores, recebe cerca de 36 milhões de visitantes por ano, 90% deles estrangeiros. "O futuro da cidade está em jogo. A nossa credibilidade internacional também está em jogo", insistiu o prefeito Luigi Brugnaro.

(Com informações da AFP)